Teste: amplificador Hi-Fi nacional de boa relação custo-benefício

Por Redação HOME THEATER & CASA DIGITALEmbora ofereça uma extensa linha de subwoofers e caixas de teto, a Advanced Audio Technologies tem uma boa reputação no mercado nacional desenvolvendo há mais de uma década amplificadores de potência. E o modelo estéreo PM-2, top de linha da empresa paulista, consagra essa experiência por ser um amplificador diferenciado para a sua faixa de preço, conforme descobriu a nossa equipe.

CONSTRUÇÃO

Bastou alguns segundos ao desembalar o PM-2 para ver que estávamos diante de um produto projetado com capricho e atenção aos detalhes construtivos. Ao manusear não ouvimos sequer o ruído de alguma sobra de fio interno encostando ao chassi. São cerca de 16kg bem distribuídos em um gabinete de padrão 2U, de 43cm de largura por 10cm altura, e bastante rígido.

Assim como o painel em alumínio espesso com apenas um botão liga-desliga e leds indicadores de standby e de clipping calibrados para caso a distorção atinja 2%, o que pode acontecer numa eventual conexão de caixas incompatíveis (bem que poderia ficar somente a luz azul quando ligado o aparelho).

Através das saídas de ar superiores, é possível ver uma topologia Classe AB bem estruturada com transformador toroidal e um banco de capacitores parrudos que, segundo o fabricante, somam 60.000uF e entregam corrente de 45 Ampéres contínuos, ou o dobro de pico. A AAT informa que utiliza componentes avançados para garantir energia extra durante os picos musicais mais elevados.

A potência é especificada em 150W RMS em dois canais simultâneos a 8 ohms, podendo chegar a 215Wx2 a 4 ohms. Ou ainda 430W a 8 ohms no modo bridge – quando o amplificado se transforma em um monobloco para alimentar somente uma caixa.

CONEXÕES

A flexibilidade no chaveamento da potência é uma das características do PM-2. Encontramos interruptores para funcionamentos em estéreo, paralelo (duplo mono) e bridge; entradas RCA e balanceada (raras num amplificador doméstico nacional); ativação automática por sinal de nível linha (com sensor para alto e baixo), trigger 12 volts ou manual; e uma chave GROUND LIFT, que pode reduzir ruídos de loop de terra ocasionados muitas vezes por um aterramento mal projetado.

Com seletor de voltagem 110V/220V, o PM-2 permite trocar o cabo de força simples – mas perfeitamente dentro das especificações do aparelho – por outro de construção condizente com a deste amplificador (a própria AAT oferece cabo especial opcional). Os bornes de caixas chamam a atenção pela robustez e qualidade, e a saída RCA (LOOP OUT) distribui o mesmo sinal de linha a um segundo amplificador (pode ser de outra marca).

Na falta momentânea de um pré, o PM-2 atua com estágio de ganho do sinal analógico; por isso os controles de volume para cada canal. Mas como o aparelho não vem com entradas digitais, ajustes de graves, agudos e outros parâmetros, não deve ser confundido com um integrado.

CAIXAS T100

Também recebemos para testes um par de caixas acústicas T100, da AAT. São torres de duas vias com gabinete bass-reflex de pequeno porte e acabamento em black high gloss com tela magnética. Com amplificação recomendada de 100W, as caixas abrigam woofer com cone kevlar de 6,5” e tweeter domo seda de 1” que, junto com o duto sintonizado frontal, respondem às frequências de 45Hz a 25kHz, de acordo com o fabricante. As T100 possuem base de madeira (também podem ser instalados spikes) e duplos terminais para biamplificação, ou bicablagem.

AVALIAÇÃO

Impossível ficar indiferente à variedade de conexões e possibilidades de integração do PM-2. Conectamos o amplificador a um pré-processador pelas tomadas XLR e alternamos players (CD e SACD) e receiver usando as entradas RCA. O power liga imediatamente com o sinal de entrada de ambas as conexões e desliga após cinco minutos na ausência de sinal. Iniciamos quase um mês de testes ouvindo o sistema estéreo da AAT com variados estilos musicais.

Se por um lado o PM-2 esbanjou potência, as T100 marcaram pela boa definição nas médias e altas frequências. Com a empolgante Mother Give-me Love, do percussionista nigeriano Babatunde Olatunji (The Super Audio Collection & Professional Test Disc, Chesky), a dupla da AAT não se escondeu e trouxe para a nossa sala graves convincentes, enquanto vocais e palmas ajudaram a criar uma notável abertura de palco.

As T100 não conseguiram acompanhar batidas mais rápidas e profundas com a mesma precisão e qualidade de nossas torres de referência – e seus três woofers dedicados. Por outro lado, as T100 se saíram bem com o baixo encorpado de Waters e a bateria de Mason em The Dark Side of the Moon (FLAC). Aos que gostam de sentir um baixo mais profundo ou um groove mais pesado, recomendamos adicionar um subwoofer ao sistema, para desempenhar graves abaixo de 50Hz com mais desenvoltura.

Ao ouvir os mesmos álbuns com o PM-2 conectado ao nosso par de torres de três vias, rapidamente percebemos o potencial de corrente que esse amplificador é capaz de oferecer. Com Johnny Cash em Presents a Concert Behind Prison Walls (CD), curiosamente, tivemos sensação muito próxima de pressão sonora e natureza tímbrica, em relação ao nosso amplificador de referência de 200Wx2.

Em praticamente todas as faixas do álbum McCoy Tyner with Stanley Clarke and Al Foster (DSD), o PM-2 quando exigido entregou um controle dinâmico eficiente, ao mesmo tempo em que manteve a esperada neutralidade de frequências, evitando qualquer indício de distorção. Isso ficou ainda mais evidente com o disco Chesky Records Jazz – Sample & Audiophile Test (CD), principalmente nas faixas Viola Fora de Moda e The Songs is You.

O power da AAT produziu uma pegada rítmica veloz na região dos médios-graves, acompanhados de agudos extensos e detalhados. Durante todo o período de testes em alto volume o PM-2 operou “frio”, apesar de trabalhar somente com dissipadores de alumínio, sem as detestáveis ventoinhas encontradas na maioria dos receivers, por exemplo.

O resultado disso: um som consideravelmente limpo e refinado, independente da conexão – balanceada ou RCA. Mas faltava submeter o PM-2 à amplificação de canais frontais no home theater; foi quando o conectamos às saídas PRÉ de um receiver multicanal. Após uma breve calibragem automática, a trilha musical de 007 – Contra Spectre se tornou bem mais volumosa e os efeitos notoriamente impactantes. 

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FICHA TÉCNICA

Amplificador estéreo AAT PM-2
Potência: 150Wx2 a 8 ohms; 215Wx2 a 4 ohms; ou 430W em modo bridge a 8 ohms
Distorção Harmônica: 0.003% em 1kHz / 10W
Conexões: 2 pares de entradas (RCA e XLR), 1 par de saídas de caixas, 1 par de saídas RCA (loop), triggers 12 volts
Relação sinal/ruído: 116dB
Fator de amortecimento: 1000 (20 a 1000Hz)
Consumo máximo: 750W
Dimensões (L x A x P): 43 x 10 x 44cm
Peso: 16kg
Preço sugerido: R$ 5.130

Caixas acústicas AAT T100
Tipo: torre bass-reflex, 2 vias
Drivers: woofer Kevlar 6,5” + tweeter domo seda 1”
Potência recomendada: 15 a 100W
Impedância: 8 ohms
Sensibilidade: 88dB
Resposta de frequências: 45Hz a 25kHz
Dimensões (L x A x P): 27/94/31cm
Preço sugerido: R$ 3.800
Garantia: 1 ano
Fabricante: www.aataudio.com.br

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