DSP para fones deve vir na forma de aplicativo

Uma entrevista exclusiva com Ulrich Roth, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da beyerdynamic.

Por Alexandre Algranti*

Desta vez conversamos com Ulrich Roth, responsável pela pesquisa e desenvolvimento da beyerdynamic (a marca se escreve assim mesmo, em minúsculas), talvez o fabricante de áudio com mais tempo em atividade. A empresa foi fundada em 1924 em Berlim, por Eugen Beyer, e atualmente está sediada em Heilbronn.

Alexandre Algranti – Eugen Beyer foi realmente o inventor do fone de ouvido dinâmico tal qual o conhecemos?

Ulrich Roth – Não, o inventor do alto-falante eletrodinâmico foi Werner von Siemens – onde um fone de ouvido possui um falante eletrodinâmico pequeno – mas quem deu início à produção em massa de fones de ouvido dinâmicos foi Eugen Beyer. Foi baseado em seu trabalho na Reichs-Rundfunk-Gesellschaft (RRG), a estatal de rádio alemã, na década de 1920. Do ponto de vista histórico, não é incorreto dizer que ele foi o inventor do fone de ouvido, mas do ponto de vista legal Siemens tem a patente. Beyer não registrou patente de seu fone de ouvido, não que a gente saiba. Porém, obteve patentes relativas a microfones de fita e dispositivos para elevadores.

AA – Existe uma curva de resposta alvo da beyerdynamic? 

UR – Nossa abordagem não envolve curvas de resposta, mas uma resposta sonora meticulosa. Tentamos atingir o som “sem cores”. Nunca mostre uma curva de resposta alvo para um leigo, já que a mesma não é plana, dado o acoplamento com o canal auditivo e as suas ressonâncias, ao contrário do que ocorre com alto-falantes. As curvas para os fones nunca são planas. Enquanto os alto-falantes operam ao ar livre no “far field”, definido por uma distância maior ou igual a 5 vezes o comprimento de onda entre a fonte e o ouvinte, fones de ouvido operam no “near field”  com o falante confinado dentro de uma cavidade e próximo ao canal auditivo. Não temos uma curva de resposta alvo, consideramos o som sem cor, o tamanho e estrutura da cavidade e do canal auditivo e o volume interno da cavidade por onde o diafragma irá se movimentar.

AA – Não está na hora dos fabricantes começarem a explorar mais a HRTF em seus projetos? 

UR – Para melhorar o desempenho dos fones de ouvido binaurais usando técnicas de HRTF, temos que incorporar a função HRTF do usuário no fone, o que não é difícil. Difícil é levantar essa curva. Existem técnicas modernas, como o escaneamento a laser ou por câmeras, mas é uma tecnologia que está somente no começo. Então, temos que levantar a curva e inseri-la no amplificador ou no fone, e até onde eu sei essa tecnologia de medição ainda não está madura o suficiente para produção em massa.

Para mim, o desafio está em levantar a curva HRTF. Quando você escaneia sua cabeça em 3D, a tolerância está em 5mm. Porém, esses 5mm ao redor do lóbulo das orelhas causam um impacto significativo ao levantar a curva HRTF. Dez anos atrás, medíamos a curva dentro de uma câmera anecóica com a pessoa sentada em uma cadeira giratória e com sua cabeça fixa em um suporte. Medíamos a cada 2 ou 5 graus por 30 minutos, o que era uma experiência inconveniente. 

AA – O que aconteceu com o sistema Headzone de fone de ouvido com som surround? 

UR – O Headzone era além do seu tempo, utilizava um chip de processamento digital de sinais muito caro, da Texas Instruments. Outra razão para seu insucesso foi a falta de conteúdo. Temos diversos filmes e shows gravados em surround, mas quase nada de álbuns de estúdio, dá para contar nos dedos.

AA – Existem planos para um novo sistema de DSP (processamento digital de sinais)? 

UR – Temos muitos planos, mas são secretos, não decidimos ainda qual direção tomar. Os algoritmos devem rodar no fone ou no smartphone? O smartphone já tem poder de processamento DSP. Creio que seria mais fácil desenvolver um aplicativo. Nosso fone Aventho oferece a possibilidade de individualização via aplicativo, onde iremos expandir essa plataforma.

AA – E os fones planar magnéticos? Eu adoraria ter um produto desses da beyerdynamic e posso imaginar a porrada sonora dele… 

UR – Não. Como diz a nossa marca, a beyerdynamic é dinâmica!

AA – Quais fones você recomenda para uso com arquivos de áudio em High Res? 

UR – Os modelos Tesla T1 e Amiron Home com fio e o Aventho sem fio. Utilizamos o codec AptX HD, o melhor na minha opinião, e em diversos testes comparativos com fones com fio ninguém conseguiu notar a diferença entre o fio e a conexão Bluetooth. 

AA – O que faz um grande fone de ouvido? 

UR – Posso responder como um consumidor nessa ordem: qualidade sonora, conforto no uso e robustez.

AA – E o que faz dos fones de ouvido da beyerdynamic tão especiais? 

UR – A beyerdynamic preza muito os fatores acima, onde a qualidade sonora é o mais importante. A beyerdynamic é uma referência em qualidade sonora e conforto de uso, sem dúvida está no topo desses quesitos. Todos têm suas preferências sonoras e alguns reclamam que os fones beyerdynamic são naturais demais. Mas, na minha opinião, um fone tem que soar o mais natural possível e não deve apresentar muita coloração.

AA – Muito obrigado, Ulrich, e um grande abraço para os amigos em Heilbronn.

*Alexandre Algranti é o Chief Headphone Officer do site fonesdeouvido.com.br. Leitores deste blog tem 10% de desconto em qualquer compra no site com o código HT2018.

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