Ouvidos no Espaço

Por Alexandre Algranti*

Para nos orientarmos no espaço sob a gravidade terrestre, usamos o sistema vestibular – um conjunto de órgãos do ouvido interno que regula o equilíbrio físico – em conjunto com os sentidos do tato, da visão estereoscópica e da audição binaural.

Nas condições de microgravidade – como aquelas presenciadas pelos astronautas nas estações espaciais – o sistema vestibular e o senso de tato são neutralizados, dando maior relevância aos sentidos da visão e audição na orientação.

Se a orientação pode ser confundida pela visão – por  exemplo, ao assistirmos aos créditos de um filme no cinema, a tela parece se deslocar para baixo –, o mesmo pode ocorrer com estímulos sonoros. No caso da microgravidade, a intensidade da ilusão sonora pode indicar a importância da audição sob essas condições.

Em Outubro de 1991, a AKG e a Agência Espacial Russa promoveram o experimento AUDIMIR, que estudou os efeitos da microgravidade sobre a acuidade da audição do cosmonauta austríaco Franz Vieböck (foto) na estação espacial MIR. Na ausência de ambientes acusticamente apropriados para a realização do experimento, foi utilizado um fone de ouvido AKG K270 customizado, em conjunto com um reprodutor processador de sinais de áudio binaurais, programado com a curva HRTF levantada no cosmonauta.

Dentre os sinais utilizados, estavam pulsos de ruído branco – um sinal que soa como um chiado e possui todas as frequências com igual intensidade ao longo da faixa de audição – e alguns compassos de uma valsa processados de modo a girar ao redor da cabeça do cosmonauta.

A primeira fase do experimento mediu a localização dos sons frontais no plano horizontal e no plano mediano,  respectivamente a partir da reprodução dos sinais posicionados à esquerda, centro e direita, acima e abaixo, e anotando as sensações do cosmonauta. Em uma segunda série de testes, os sinais foram deslocados entre o centro e a esquerda e o centro e a direita.

Nessa fase, foi constada uma pequena diferença em relação aos erros de localização no plano horizontal medidos na terra, porém com uma breve sensação de deflexão para baixo no plano mediano.

A segunda fase do experimento visou gerar a sensação no cosmonauta estar em movimento em relação os sinais de áudio. Em alguns momentos, ele sentiu-se como se estivesse bailando ao redor da orquestra; em outros, sentiu a orquestra rodando ao seu redor.

Os resultados do experimento concluíram a importância da audição na orientação espacial em microgravidade e abriram as portas para as melhorias nos sistemas de comunicação entre a central de controle, a espaçonave e os cosmonautas em atividades extra veiculares.

Gostaria se saber quais seriam os resultados obtidos com Major Tom…

*Alexandre Algranti é o Chief Headphone Officer do site fonesdeouvido.com.br. Leitores deste blog tem 10% de desconto em qualquer compra no site com o código HT2018.

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