Edifício Inteligente: eu quero morar/trabalhar em um

Por George Eric Wootton*

Por que queremos Edifícios Inteligentes? Com certeza, há um investimento em tecnologia que precisa ser feito, e esse investimento precisa trazer um retorno financeiro, senão será muito difícil de se justificar. Um dos principais focos é aumentar a eficiência energética, justificando o investimento pela redução de custos que pode ser obtida.

Mas há outros fatores que podem contribuir para aumentar os retornos tangíveis e não-tangíveis. As três maiores áreas são: segurança, custo operacional e rápida adequação às legislações e políticas de incentivo governamentais. Depois do investimento feito e dos principais retornos financeiros e operacionais obtidos, há ainda várias áreas onde a “Inteligência” do edifício pode ser usada, melhorando o gerenciamento dos ativos e do conforto de seus ocupantes.

Mas vejamos quais podem ser as principais tendências tecnológicas em Edifícios Inteligentes nos próximos anos:

Eficiência Energética

Tudo começou com algumas iniciativas localizadas, como a troca de lâmpadas de alto consumo por lâmpadas LED e a troca de equipamentos de ar condicionado velhos por novos e mais eficientes. Os investimentos eram fáceis de serem calculados e seus retornos, se não muito altos, eram de longa duração.

Mas agora é preciso dar passos mais tecnológicos. Aqui incluímos controle individual de cada ambiente, controle dinâmico de temperatura, ações antecipadas baseadas na previsão de ocupação, entre outros. Para que essas soluções sejam eficientes, haverá a necessidade mais sensores e mais fontes de dados para que as decisões possam ser tomadas mais eficientemente.

Redução de Custos Operacionais

Os Edifícios Inteligentes precisam ter uma infraestrutura de tecnologia da informação bastante complexa, e o caminho natural é utilizar essa infraestrutura para também otimizar os custos operacionais, compartilhando recursos entre os vários setores, como segurança, operação de maquinário, atendimento ao usuário/cliente, análise de dados e gerenciamento.

Gerenciamento de Ativos

Incluímos aqui não apenas os ativos diretamente relacionados com a manutenção e operação de um edifício, mas também com sua utilização como um negócio comercial. As câmeras de segurança podem ser utilizadas para observar a utilização de espaços, dando informações que permitam a otimização de seu uso.

A coleta contínua de informações sobre os principais equipamentos de um edifício, como elevadores, portões elétricos e bombas de água, permitirá a implantação de ferramentas de manutenção preventiva e preditiva, minimizando as perdas com equipamentos fora de funcionamento ou com manutenções corretivas, sempre mais caras e nem sempre bem feitas, devido à urgência da situação.

Novas Tecnologias Reduzindo o Custo dos Investimentos

As novas tecnologias como a Internet das Coisas e o desenvolvimento de sensores cada vez mais baratos incentivará o investimento em transformar pequenos e médios edifícios em Edifícios Inteligentes. O investimento será menor graças a essas tecnologias, e os benefícios estarão ao alcance de um número maior de usuários.

Maior Conforto Significando Maior Produtividade

O controle mais preciso de grandezas como temperatura, umidade e luminosidade trará maior conforto aos ocupantes do edifício e, como consequência já provada através de estudos, maior produtividade.

Integração com A Cidade Inteligente

Uma Cidade Inteligente fica mais inteligente e de forma mais rápida quando pode contar com um bom número de Casas e Edifícios Inteligentes. As informações poderão ser melhor integradas e as ações que a Cidade Inteligente precisará tomar em um determinado momento poderão incluir as Casas e Edifícios, aumentando sua eficácia e reduzindo seu custo para obter os resultados esperados.

Contribuição Social 

Um Edifício que seja inteligente é também eficiente, maximizando os benefícios obtidos a partir dos recursos consumidos. É uma forma clara de contribuir com o meio ambiente e obter vantagens com isso.

Acredito ser o momento onde todos os envolvidos, sejam construtores, futuros proprietários, investidores ou governos, devem dar à inteligência de suas casas e edifícios o correto valor de um investimento que vale a pena por todos os retornos, tangíveis ou não, que obterão.

*O autor é consultor em automação e Internet das Coisas, além de diretor técnico da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial). O artigo foi publicado originalmente no blog IoT no Brasil. Clique aqui para ler na íntegra.

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