A Copa na TV: mais um show de tecnologia

Por ORLANDO BARROZO

Desde 1930, já tivemos 20 edições da Copa do Mundo da Fifa. Mas nunca houve uma Copa como esta de 2018, pelo menos do ponto de vista da tecnologia e da cobertura multimídia. Se antes de 1970 os brasileiros só conseguiam acompanhar os jogos pelo rádio, a competição tem sido palco de grandes inovações tecnológicas: as primeiras transmissões internacionais via satélite (em 1970, ainda em preto e branco, e 1974, já em cores); o início da TV em alta definição (2006); as primeiras coberturas pela internet (2010); e a estreia do padrão de resolução 4K (2014).

A Copa da Rússia é a primeira com o uso intensivo da realidade virtual (VR) nas transmissões autorizadas pela Fifa. Aliás, o controle rígido da entidade sobre tudo que se relaciona ao evento – acompanhado em todo o mundo por cerca de 3 bilhões de pessoas, segundo estimativas – é o que possibilita os altos investimentos necessários a essa cobertura tão ampla.

Pirataria

Depois dos escândalos financeiros que atingiram a entidade nos últimos anos, resultando inclusive na prisão e/ou banimento de ex-dirigentes, a Fifa perdeu patrocinadores e teve que se reinventar. Adotou políticas mais rígidas de compliance e de controle sobre a pirataria. Certamente haverá pessoas captando sinal dos jogos por meios não autorizados na Rússia, país que, por sinal, detém recordes mundiais nesse departamento. Mas a Fia promete punir a sério quem se aventurar.

Para se ter ideia, a entidade registrou termos como “FIFA”, “World Cup”, “Copa 2018”, “Mundial 2018” e várias outras similares, que este ano só podem ser usadas pelos patrocinadores do evento e empresas expressamente autorizadas. Quem não pagou pelos caríssimos direitos terá de se referir à Copa com expressões como “campeonato internacional de futebol na Rússia”, ou algo do gênero.

Emissoras de TV, rádio e sites tratando do torneio só poderão transmitir ou exibir informações básicas sobre uma partida, e mesmo assim só depois de terminada. Não poderão utilizar logotipos e símbolos da Copa, sob o risco de processos e pedidos de indenizações milionárias. O velho hábito dos “melhores momentos” de um jogo, por exemplo, só estará presente nas emissoras que pagaram pelos direitos para isso.

Geração de sinal

A cobertura “oficial” da Copa já é uma tradição: anos atrás, a Fifa descobriu que manter o controle sobre imagens exclusivas poderia ser uma excelente fonte de receitas adicionais. Por isso, somente equipes credenciadas pela entidade poderão realizar filmagens nos estádios, com equipamento previamente especificado. Em cada um dos 12 estádios, haverá uma unidade de TV com link dedicado de 1Gbps para captação e transmissão.

Esses sinais serão enviados em tempo real para um centro de operações localizado em Moscou, com capacidade de 20Gbps, através de canais também dedicados e com o máximo controle para evitar interferências e desvios. Os operadores receberão todo o material (áudio, vídeo, sinais de VR), que ali serão convertidos em arquivos digitais. De Moscou, os sinais oficiais seguirão para um outro centro operacional dedicado, em Frankfurt (Alemanha), onde ocorrerão as retransmissões para as emissoras autorizadas.

Uma inovação nesta Copa será o uso de sinais adicionais para distribuição via OTT e no formato “segunda tela”. Apenas algumas emissoras têm direito a recebê-los: mosaicos, estatísticas de cada jogo, imagens de câmeras especiais localizadas em pontos estratégicos dos estádios, assim como da chamada “câmera tática”, que acompanha do alto os movimentos dos atletas e torcedores, montadas em cabos e operadas por drones.

UHD e HDR

Outra novidade muito aguardada é a geração de sinais das partidas em resolução Ultra HD (quatro vezes mais detalhamento do que a atual Full HD) e com processamentos HDR (High Dynamic Range) e WCG (Wide Color Gamut). De novo, somente algumas emissoras estão autorizadas a veicular esses sinais – no Brasil, apenas a Globosat. Como são conteúdos de alta complexidade, ainda não é possível transmiti-los pelo ar; portanto, não haverá 4K nas transmissões de TV aberta.

Quem assina um pacote de TV paga contendo Globosat poderá usufruir dessas imagens desde que possua um TV ou receptor do tipo smart, capaz de baixar os aplicativos necessários. É importante saber que o sinal gerado em UHD tem um delay de aproximadamente 4 segundos. Ou seja, que estiver usufruindo da imagem em ultra alta definição corre o risco de ouvir seu vizinho gritar “gol” um pouco antes.

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