Um futuro com menos delay na transmissão de eventos esportivos

Por Wellington Lordelo*

Se tem uma coisa que a Copa do Mundo 2018 (e outros eventos esportivos) demonstrou é que a experiência do usuário é determinante para o sucesso de qualquer emissora ou produtora de conteúdo. Aqueles que assistiram aos jogos pela TV a cabo ou via streaming puderam perceber claramente o atraso na transmissão, quando seus vizinhos que acompanhavam pela TV aberta ou rádio gritavam “gol” bem antes deles.

Durante a competição, vários vídeos circularam nas redes sociais mostrando a diferença – que chegava a 40 segundos em alguns casos –, o que prova que um atraso na transmissão de eventos esportivos em tempo real, ainda que pequeno, pode acabar com a graça de quem assiste.

A razão desse delay já é bem conhecida: o caminho do sinal, desde a captura da imagem até a recepção do usuário final, é maior pela TV a cabo do que pela TV aberta (maior ainda via streaming). Mas qual seria a alternativa então? Muitos saíram comprando antenas durante a Copa, o que com certeza não é solução ideal (para aqueles que investiram em televisores de alta definição ou 4K em busca de qualidade, definitivamente não é). Na verdade, a solução para reduzir esse atraso existe sim – se chama interconexão. O usuário final pode exigir que seu provedor de Internet seja bem interconectado para gastar menos “saltos” para atingir o conteúdo.

A plataforma atual dessas empresas ainda é arquitetada em torno de uma tecnologia tradicional e de redes centralizadas para a recepção e distribuição de mídia. As emissoras recebem a transmissão de um jogo do outro lado do mundo, levam os dados para suas sedes cada um de um jeito (geralmente pelo caminho da internet pública) e depois distribuem para os assinantes, seja por fibra óptica ou satélite.

Esse modelo fixo em silos de criação, armazenamento e distribuição já não comporta mais o volume de dados, o crescimento dos negócios em escala global e a velocidade de transmissão exigida hoje em dia, sendo ainda muito custoso, rígido e restritivo.

Já a interconexão permite que a troca de dados seja feita diretamente entre as companhias de mídia digital, sem passar necessariamente pela internet. Ao conectar de modo privado vários data centers espalhados pelo globo, a interconexão cria uma espécie de “rodovia privada” aberta só para essas empresas, um caminho menos congestionado e muito mais rápido do que a “rodovia pública” da Internet.

Até 2020, a previsão é que a interconexão entre as empresas cresça em média 62% ao ano na América Latina, chegando a um volume de 626Tbps em dados. Apenas no setor de Mídia e Entretenimento da região, esse número deve chegar 96Tbps.Em um nível básico, a interconexão entre data centers ajuda a garantir que o fluxo de vídeo em tempo real seja entregue sem falhas.

No caso da Copa da Rússia, por exemplo, a transmissão teria a velocidade e a baixa latência necessárias para garantir a melhor experiência de visualização possível (ou seja, com qualidade de imagem e sem atraso). Com uma plataforma interconectada, as empresas de conteúdo e mídia digital podem escalar rápida e facilmente suas produções, conectar-se de forma privada com parceiros de entrega de conteúdo e criar produtos inovadores e customizados para o usuário final, gerando novas receitas e novas formas de consumo de mídia.

Um exemplo é a Discovery Communications. A companhia implementou uma arquitetura já orientada à interconexão, que a permitiu transformar seu negócio em um modelo distribuído e totalmente baseado em nuvem. Colocando a sua infraestrutura de TI em data centers interconectados em Ashburn, Londres e Paris, a Discovery consolidou 80% de sua plataforma, otimizando a entrega de conteúdo mundial e acelerando a entrega de produtos em tempo real. A ideia é atender à demanda de consumo advinda da transmissão dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

Já aqui no Brasil, o movimento de adoção da interconexão pelo setor de Mídia e Entretenimento não tem caminhado tão rápido assim. Contudo, as empresas já atentaram para sua importância, principalmente no que tange à possibilidade de inovar e gerar novas fontes de receita. Quem sabe agora, com a experiência do usuário tão em evidência, as emissoras e produtoras de conteúdo brasileiras não decidam dar o passo final, já se preparando para os próximos grandes eventos esportivos e se tornando companhias verdadeiramente globais.

*Wellington Lordelo é gerente de Solution Marketing da Equinix Brasil

htbest

htbest