TESTE EXCLUSIVO – AKG N90Q, um verdadeiro thriller sonoro


Por Alexandre Algranti*

Fundada em 1947 na Áustria, a AKG é um dos principais fabricantes de fones de ouvido do mercado mundial. Seu modelo over-ear semi-aberto (K240 MKII) é um fone que não pode faltar na coleção de qualquer entusiasta por alta fidelidade. A empresa foi adquirida algumas vezes durante a sua história, sendo atualmente uma empresa do grupo Samsung.

O compositor e maestro Quincy Jones idealizou o N90Q.

“Inspirado” pelo produtor Quincy Jones, ganhador de nada menos que 27 Grammys, o fone AKG N90Q é de ergonomia over-ear fechada, com falante de 52mm, e possui uma série de tecnologias embarcadas, o que faz dele um verdadeiro smart headphone. E talvez o único da categoria no mercado brasileiro até agora.

O fone vem acondicionado em uma embalagem muito luxuosa – e bem pesada também – acompanhado de diversos acessórios, como um cabo generoso com 3m de comprimento, um cabo com microfone para uso com dispositivos móveis iOS e outro para dispositivos Android, um cabo USB para recarga e um adaptador de 3,5mm para ¼ de polegada.

Um case em forma de concha resistente, em alumínio e material composto, acomoda o fone e os acessórios, além de uma bateria recarregável extra que pode ser carregada com o case fechado a partir de um conector USB localizado na traseira do mesmo. Uma bolsa em couro legítimo completa o sistema com muita elegância. Sensacional!

Ao retirar o fone da caixa, o primeiro passo é ligar a alimentação que imediatamente aciona o sistema de cancelamento ativo de ruídos – muito eficaz em ambientes urbanos e com as janelas abertas – e realizar o ajuste via o sistema TruNote de customização.

Botão liga/desliga iluminado e botão de calibragem TruNote

É só apertar por 5 segundos um botão dourado localizado na base da cavidade esquerda, liberá-lo após um tom sonoro, aguardar a reprodução de dois tons de varredura e pronto: o fone está calibrado para a geometria dos seus ouvidos!

Um controle rotativo na extremidade da cavidade esquerda controla o volume, enquanto outro na cavidade direita controla a equalização de frequências, realçando ou atenuando os graves e agudos de forma coordenada, conforme as recomendações do próprio Quincy Jones.

O mesmo botão dourado utilizado na calibragem permite alternar entre três modos de espacialização: “Standard”, “2.1 Studio” e “5.1 Surround Sound”. Infelizmente, não há uma indicação sonora quanto ao modo em uso, talvez um clip com a própria voz do maestro…

Tiara regulável para ajuste perfeito a cabeça

De acordo com a AKG, no modo Standard o áudio não sofre nenhum processamento, sendo ideal quando o fone é utilizado com processador externo como Dolby Headphone ou DTS Headphone X. Já no modo 2.1 Studio o palco sonoro é trazido para a frente da cabeça utilizando um circuito de cross talk que simula a interação da caixa acústica esquerda com o ouvido direito e vice versa.

Finalmente, o modo 5.1 Surround Sound gera reflexões simuladas ao redor da cabeça, de forma a perceber o palco sonoro a uma certa distância, porém sem colorações e reverberações.

Para completar o pacote de tecnologias embarcadas, o AKG N90Q possui um conversor digital/analógico interno acessível via uma interface USB que permite reproduzir arquivos em 24 bits e 96kHz.

 

1,2,3… Testando

Detalhe da construção primorosa do fone, com a espuma dupla ultra-confortável

A primeira boa surpresa ocorreu ao ligar o fone que automaticamente acionou o sistema de cancelamento ativo de ruído. Mesmo não tendo sido testado dentro de uma aeronave, o sistema foi bom o suficiente para criar aquele santuário sintético de silêncio tão necessário no mundo moderno. Ao realizar a calibragem com TruNote, ocorre uma sensível melhora na resposta de baixas frequências; essa tecnologia aponta no caminho certo para a personalização da experiência sonora.

Quanto à espacialização, e seguindo o mantra de “less is more”, o modo Standard soou mais agradável. Talvez seja por um bias pessoal no tocante ao minimalismo quando se trata de áudio. O modo Studio 2.1, porém, é um passo em direção a se obter, com um fone de ouvido, a ilusão do uso de um par de caixas acústicas.

O controle de volume na cavidade esquerda se mostrou conveniente, principalmente ao não ter que levantar da poltrona para alterar este parâmetro no computador. Já o controle de equalização na cavidade esquerda, ponto alto da colaboração entre a AKG e Quincy Jones, entregou o que prometeu, sem soar excessivamente grave ou agudo, fruto de um processador de controle de distorções.

No teste com o celular Galaxy S9+ – capaz de reproduzir arquivos 24/192 e DSD 64 e 128 – o N90Q apresentou graves poderosos, médios equilibrados e agudos precisos, sendo submetido a diversos estilos sonoros, desde uma ópera de Wagner ao metal do Black Sabbath.

O ponto alto do teste foi o uso do fone via conexão USB, que se portou como uma interface de áudio externa. Infelizmente, o cabo fornecido tinha somente 1m20 de comprimento, exigindo improvisar um cabo um pouco mais longo.

O fato do conversor interno comportar 24/96 foi compensado com o Media Player 24, que realizou o downsampling adequado com os arquivos mais densos, porém com resultados semelhantes aos do teste com o S9+.

Avaliação

ConfortoMesmo pesando 480g, o AKG N90Q tem um peso bem distribuído e não apresentou descomforto durante as sessões de tais de 4 horas de audição. Suas espumas duplas são macias e se deformam a contento.
DinâmicaWagner, Coltrane e Ozzy o aprovariam.
Equilíbrio tonal Típico de um fone flagship da AKG.
Palco SonoroReproduziu os arquivos binaurais do disco de teste com primazia.
IsolamentoExcelente isolamento combinado com o cancelamento ativo de ruídos.
ConstruçãoProduto robusto e muito bem acabado.

Veredito

O N90Q é um fone de ouvido high end e inovador, que faz parte de uma nova categoria de produto. Como tal, seu preço é um pouco alto para os padrões, porém nada que os “innovators” em tecnologia não estejam acostumados. O uso de um conversor interno de 24/192, além do fornecimento de um cabo USB com 3 metros e um cupom de desconto em sites como o HDTracks.com, o aproximaria da perfeição.

Dados técnicos:

  • Peso: 480g
  • Resposta de frequência: 10Hz a 25kHz
  • Impedância: 32 Ohms
  • Sensibilidade: 110dB SPL @ 1kHz/100mV
  • Potência máxima: 100mW
  • PSV (Preço Sugerido de Venda): R$ 5.199,00

Testado com

  • Notebook HP Folio com HD SSD
  • Interface de áudio Apogee Groove
  • Media Center 24, gentilmente cedido pela J River
  • Celular Galaxy S9+
  • Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath, 24/96
  • Donald Fagen – The Nightfly, 24/48
  • Jeff Buckley – Grace, 24/192
  • John Coltrane – A Love Supreme, 24/192
  • Richard Wagner – Siegfried, Wiener Staatsoper, 96/24
  • Kraftwerk – 3-D The Catalogue, 24/44.1
  • Michael Jackson – Thriller, AIFF 24/176,4
  • The Ultimate Headphone Demonstration Disc, 24/192

*Alexandre Algranti é o Chief Headphone Officer do site fonesdeouvido.com.br. Leitores deste blog tem 10% de desconto em qualquer compra no site com o código HT2018.

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