Testamos o Sennheiser RS185 – fio pra quê?

Por Alexandre Algranti*

“Sem fio é Sennheiser!” Criei este bordão nos idos de 2000, quando do lançamento no Brasil da linha Evolution de microfones sem fio. A empresa alemã data de 1946 e é líder inconteste na tecnologia sem fio para áudio profissional, o que certamente gera bons dividendos para sua linha de produtos de consumer audio.

Detalhe dos controles de volume, balanço e modo de operação.

O sistema de fone de ouvido sem fio digital RS 185 opera na faixa entre 2,40 e 2,48 GHz, com certificação ANATEL, e é composto de um fone receptor com ergonomia over-ear aberta e um transmissor-carregador remoto. O fone é alimentado por duas pilhas AAA elegantemente posicionadas, uma em cada cavidade. Controles de liga/desliga, volume, equilíbrio (!) e modo de operação são acessíveis na cavidade direita. Dois fones podem operar simultaneamente.

O transmissor-carregador tem alimentação AC e oferece duas entradas, uma digital óptica Toslink para conexão a televisores e players de mesa, e outra analógica RCA estéreo. O sistema opera em dois modos no ajuste da sensibilidade de entrada para evitar distorções: ALC (“Automatic Level Control”) e MLC (“Manual Level Control”), este último através de um potenciômetro e com um led indicador no caso de overload de sinal.

Uma fonte AC com 4 ponteiras diferentes, duas pilhas recarregáveis AAA em NiMH, um cabo óptico com 1m50 e um cabo estéreo RCA com 1m20 complementam o sistema. Como de praxe com os produtos Sennheiser, a embalagem é bem sofisticada, além de bradar “Sem fio Digital SEM COMPRESSÃO”.

1,2,3, Testando

Design alemão arrojado e premiado pelo Red Dot Award. Parece um Terminator de longe!

Inicialmente, o fone foi carregado com o pareamento entre transmissor e receptor ocorrendo na sua conexão ao carregador. Como todo sistema de controle automático de nível introduz alguma compressão sonora, por mais sutil que seja, o fone foi testado no modo manual, com ajustes de níveis individuais para cada álbum.

O processo pode parecer um pouco tedioso, mas permite levar o sistema ao extremo revelando ainda mais os microdetalhes das gravações em alta resolução. A primeira reação foi andar pela casa, um sobrado com 350 metros quadrados construído na década de 1930 em alvenaria. Enquanto o áudio se manteve firme ao escutar o fone a cerca de 15 metros do transmissor no primeiro andar, ao sair de casa o sinal foi cortado a cerca de 8 metros… seriam as grades que protegem as janelas ou o cipoal de redes Wi-Fi da vizinhança os culpados?

Como de praxe, o fone passou por um intenso teste cardiovascular, desta vez com Mozart, Billie Holiday, Herbie Hancock na sua fase electrofunk e o som devastador do primeiro disco do Jane´s  Addiction.

Avaliação

Conforto Espumas de veludo confortáveis e facilmente substituíveis. Baixo peso devido à construção em plástico. Adequado para horas a fio de uso.
DinâmicaPara uma transmissão sem fio digital padrão consumer em um ambiente urbano de RF altamente poluído, é simplesmente espetacular.
Equilíbrio tonalTão plano que incomoda às vezes. Como todo fone teutônico, imagino.
Palco Sonoro Reproduziu os arquivos binaurais do disco de teste com precisão.
IsolamentoFone over-ear aberto pode incomodar quem está ao lado, dependendo do volume.
Construção Em material plástico porém resistente, talvez pudesse vir em alumínio…

Veredito

Sem fio realmente é Sennheiser, faz parte do DNA da empresa. A transmissão digital sem fio é uma evolução e se reflete na robustez do sinal transmitido e na qualidade sonora.Falta um DAC 24/192 via USB incorporado ao transmissor. Espumas em material tipo gel para uso nos trópicos também seriam muito bem-vindas.

Dados técnicos:

Peso: 310g
Resposta de frequência: 17Hz-22kHz
SPL Máximo: 106 dB @ 1KHz, 3% THD
Tempo de operação: 18 horas
Tempo de carga da bateria: 8h50
PSV (Preço Sugerido de Venda): R$ 2.589,99

Fone testado com:

Notebook HP Folio com HD SSD
Interface de áudio Apogee Groove
Media Center 24, gentilmente cedido pela J River
Celular Galaxy S9+
Pono Player
Iphone 7 plus
Billie Holiday, Carnegie Hall Concert, 24/96
Herbie Hancock, Future Shock, 24/96
Jane´s Addiction, Nothing´s Shocking, 24/96
Melvin Van Peebles, Sweet Sweetback´s Baadasssss Song
Miles Davis, Bitches Brew, 24/96
Mozart, Don Giovani, Teodor Curentzis, 24/96
Steely Dan, Gaucho, 24/96
Vários Artistas, The Chesky Ultimate Headphone Demonstration Disc, 24/192

*Alexandre Algranti é o Chief Headphone Officer do site fonesdeouvido.com.br. Leitores deste blog tem 10% de desconto em qualquer compra no site com o código HT2018.

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