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Mídias digitais atraem fãs do áudio Hi-Fi

09/05/2007, por Victoria Shannon

Os amantes da boa música devem se lembrar de um antigo anúncio das fitas magnéticas Maxell: um homem sentado confortavelmente numa poltrona, com o pensamento bem long, embalado por seu sistema de áudio de alta fidelidade. Como o velho cowboy da Marlboro, esse nosso amigo é hoje uma relíquia.

Será que estamos nos últimos dias do som hi-fi? A julgar pelos mais de 2 bilhões de músicas vendidas pela loja virtual iTunes, pela onipresença dos players MP3 e das milhões de pessoas que diariamente trocam músicas pela internet, a resposta é "sim". "A qualidade dó áudio digital é ótima", admite Paul Connolly, audiófilo e instalador profissional da cidade de Sugar Land, no Texas. Ele está em pleno processo de digitalizar sua coleção de mais de 2.400 CDs, utilizando para isso o programa da Apple. "O calor e a clareza dos álbuns antigos eram maravilhosos", diz Connolly. "Mas será que eu preciso de álbuns? Não. Será que preciso de CDs? Não. Agora, tudo é digital".

Justin Schoenmoser, de San Francisco, é outro que trocou seu sistema hi-fi por um iPod. Como vive viajando a trabalho, ele se acostumou a levar consigo o pequeno player, menor que um maço de cigarros, carregando nele milhares de canções. "A última vez que usei um system hi-fi foi nos anos 80", lembra ele, "e foi um presente de meus pais. Como nos últimos cinco anos converti toda a minha discoteca para digital, pude enfim me livrar daquele velho equipamento".

Uma canção copiada de um CD à taxa de 128 kilobits por segundo - taxa padrão na maioria dos programas dese tipo - conserva apenas uma fração dos dados de áudio contidos no disco original. Não importa se você copiou de seu próprio disco ou baixou da internet, a canção continua sendo a mesma. O pequeno arquivo digital chega a ser mera sombra, comprimida, da gravação. E mesmo que seu equipamento seja high-end, corretamente ajustado, ao tocar nele uma gravação desse tipo o que você ouve é apenas uma versão. Plenamente audível, sem dúvida, mas ainda assim sem a riqueza de um CD original.

Alguns especialistas dizem que a quantidade de dados perdida nesse processo é umperceptível à maioria dos ouvintes. Mas Michael Silver sabe que não é assim. Sua loja de equipamentos high-end vende coisas como uma cápsula de toca-discos analógico por US$ 5.000, ou um cabo estéreo por US$ 2.700 o metro. "Não dá para comparar", comenta Silver ao se referir aos arquivos de música digitais. "meu sistema high-end é uma Ferrari, meu sistema estéreo é um Honda, e esses players iPod são uma carroça".

Perceptível ou não, essa diferença de qualidade não está impedindo o fechamento de dezenas de lojas especializadas em áudio hi-fi, em várias partes dos EUA. A Tweeter, tradicional rede com 153 lojas espalhadas pelo País, acaba de fechar 49 delas. Em agosto passado, a Tower, maior rede de lojas de discos do mundo, pediu falência. E a Circuit City, segunda maior rede de lojas especializadas em eletrônicos, anunciou recentemente a demissão de 3.400 trabalhadores.

Pesquisa recente do instituto Nielsen revelou que as vendas de CDs nos EUA caíram 20% este ano, comparadas com o início de 2006. "Não se trata de crise financeira", explica James McQuivey, da empresa de análise de mercado Forrester. "As pessoas têmm dinheiro para gastar. O problema é que agora há uma novidade à venda. O MP3 integrou os conceitos de discoteca e reprodução móvel. Agora, todos os arquivos estão escondidos em algum lugar".

Com a troca dos velhos equipamentos modulares por sistemas integrados do tipo rede doméstica, McQuivey acha que surgirão cada vez mais aparelhos portáteis e integráveis, que irão eliminar todas as restrições ainda existentes contra o MP3. Na cidade de Santa Barbara, California, por exemplo, a loja Sonos já está vendendo um sistema que permite transferir músicas armazenadas num dispositivo portátil, do tipo handheld, para qualquer conjunto de áudio, seja um system de home theater ou um simples amplificador acoplado a duas caixas acústicas. Trata-se, portanto, de uma junção entre o velho e novo: você pode guardar suas músicas no PDA ou celular e ouvi-las onde e quando quiser - no trabalho, em viagem ou na casa de um amigo.

"Um CD para mim não tem mais a menor importância", conta John MacFarlane, fundador da Sonos. "O iPod e a música portátil só fizeram acelerar essa tendência. Mesmo aqueles clientes que ainda compram CDs, a primeira coisa que fazem ao chegar em casa é copiar as músicas para um MP2 player".

Ele admite que a maioria dos usuários não percebe diferenças de qualidade entre um CD e um arquivo MP3, cujo som, diz, é "bom, embor anão perfeito". Mas lembra que mesmo o CD não chega à perfeição. "Quando Philips e Sony inventaram o CD, tentaram preservar ao máximo as gravações originais, ainda que não fosse possível ouvir todos os detalhes. Hoje, essas mesmas empresas usam seus PHDs para produzir gravações que soem bem a 128kbps".

(c) THE ASSOCIATED PRESS
 

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