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Confira os destaques da última edição da Revista Home Theater que está nas bancas.
 
 
 

Automação residencial pelas ondas do ar

11/06/2007, por Paula Posi *

O conceito de casa inteligente, que até pouco tempo atrás era restrito a pessoas com muito dinheiro e exigia obras complexas, finalmente está chegando à realidade brasileira. Sistemas sem fio, hoje bem mais acessíveis, permitem instalar novas comodidades até mesmo em pequenos ambientes – e, o melhor, sem necessidade de quebrar as paredes ou o piso.

"É uma escolha muito mais fácil e barata do que um sistema cabeado; além da facilidade de não precisar quebrar tudo", resume Caio Bolzani, diretor técnico da Associação Brasileira de Automação Residencial (Aureside).

As duas tecnologias que estão tornando possível esse novo tipo de instalação chamam-se Z-Wave e Zigbee. São padrões de transmissão, em rádio-freqüência ou infravermelho, que permitem enviar e receber sinais em distâncias de até 30 metros, viabilizando redes domésticas tecnicamente conhecidas como PAN (Personal Area Network) - a mesma do bluetooth.

Os dois funcionam de forma bastante parecida, a partir de módulos de rede 2 way (equipados com chips, que atuam como antenas transmissoras e receptoras de energias), funcionando ao mesmo tempo como repetidores de sinal, e que são vendidos já instalados em interruptores, tomadas, sensores, motores, entre outros. Os comandos são mandados por um controle universal que permite interface com a internet e o celular.

Dessa forma, o sistema cria rotas alternativas, sem a necessidade de uma central, um elemento coordenador, que dá um alcance limitado para o ambiente. Um módulo se comunica com o vizinho mais próximo, que manda a ordem para o outro, até completar o percurso. Além disso, no caso de falta de energia, os módulos não perdem a programação.

 

Além disso, esse tipo de sistema é escalável, ou seja, o morador pode trocar os interruptores por dimmers, expandindo o alcance pela casa para ambientes externos, conforme a necessidade e o orçamento. "Se queima um módulo, o resto continua funcionando, com rotas alternativas, possibilitando, assim, uma melhor comunicação", afirma Jean di Simoni, representante do Z-Wave no Brasil.

"Para um primeiro projeto de automação, essas tecnologias são boas opções. Pois é uma escolha muito mais fácil e barata que colocar um sistema cabeado; além da facilidade de não precisar quebrar tudo. Mas, como toda tecnologia nova, há o problema do usuário ficar preso às poucas empresas que comercializam os produtos no Brasil. Se queimar um módulo, por exemplo, você fica dependente de um fabricante só", afirma o diretor técnico da Aureside.

A principal diferença entre o Z-Wave e o zigbee é a freqüência em que eles funcionam. O primeiro atua na faixa de 900 MHz e o segundo opera tanto na freqüência de 900 Mhz tanto para 2,4 GHz – a mesma do Wi-Fi e Bluetooth -, com taxas de transferências que vão de 10kbps até 250 kbps.

O representante do Z-Wave – tecnologia que também funciona via infravermelho - diz que uma de suas vantagens é atuar na faixa de 900 Mhz, já que é mais fácil ultrapassar as paredes nessa freqüência. Além disso, ele diz que hoje já há um grande congestionamento na faixa das redes Wi-Fi (2,4 GHz), e isso tende a aumentar mais ainda, com a migração cada vez maior das pessoas para a banda larga.

A distribuidora Disac representa no Brasil os produtos da marca norte-americana Control4, sistema de automação residencial sem fio que é um misto das tecnologias zigbee e Wi-Fi. O sistema híbrido funciona da seguinte forma: para pequenos comandos, como o de um controle remoto para um dimmer, utiliza-se a tecnologia zigbee. Na hora de fazer streaming de músicas ou vídeo, o utilizado é o sistema Wi-Fi.

"O Control4 é uma linha completa de produtos para área residencial, a um custo acessível. Ele traz conceitos diferentes, já que a maior parte dos equipamentos é sem fio. Hoje, o proprietário não precisa gastar tanto em cabeamento e programação", diz Eduardo Almeida, gerente da marca no Brasil.

Segundo Almeida, o usuário pode ainda ter acesso à internet com Control4, a partir de código que inscrição que vale por um ano. O mesmo ocorre com a tecnologia Z-Wave. "Do escritório você pode ver pela internet sua filha estudando no quarto de casa, ou saber se esqueceu as portas abertas e fechá-las de qualquer lugar da casa", diz o executivo da Disac.

A diferença do Control 4 para o Z-Wave, de acordo com Almeida, é que o produto distribuído pela Disac é um pacote de soluções. Na verdade, o Z-Wave é um protocolo, que funciona em produtos de diversas marcas que se comunicam entre si. Já o Control4 produz equipamentos com uma marca própria -o sistema aceita produtos de outros fabricantes, mas é necessária programação.

"Hoje já temos equipamentos da Somfy funcionando em nosso sistema e estamos em negociação com a TVA para fazer uma parceria de interface em seus decoders. Além disso, estamos conversando com a Lutron e a Scenario, para negociar a interface. Às vezes, o consumidor já tem o sistema de iluminação instalado e quer aumentar a quantidade de automação. Se os produtos atuarem na mesma interface, será possível fazer isso com o Control4", diz o executivo da Disac.

O Z-Wave, por sua vez, faz parte de uma aliança de 165 empresas (consulte o site www.z-wavealliance.org); entre elas, a Intel, Panasonic, Linksys e Motorola, unidas no objetivo de criar um padrão aberto de rede sem fio. O produto, segundo Di Simoni, criado exclusivamente para a automação residencial, foi lançado mundialmente em 2003 e chegou ao Brasil em janeiro de 2004. A idéia é definir padrões e normas técnicas para equipamentos de transmissão sem fio, facilitando a integração.

Mais recente, o Zigbee é um padrão concorrente com a mesma proposta, também defendido por dezenas de empresas, incluindo nomes conhecidos como Philips, Samsung e Motorola (veja em www.zigbee.org).

Segundo do diretor da Aureside, o Z-Wave saiu na frente do zigbee. "Eles estão há mais tempo no mercado e são donos do chip. Além disso, fazem parcerias com empresas terceirizadas que produzem equipamentos com a tecnologia". Apesar disso, para Bolzani, uma vantagem do sistema híbrido Wi-Fi/Zigbee é permitir que os mesmos controles comandem sistemas de automação e sistemas de áudio/vídeo. Por outro lado, lembra ele, o padrão Wi-Fi exige maior largura de banda e consome mais energia. "Os padrões de RF são mais eficientes, porque podem entrar em modo´sleep´ sem necessariamente fechar a conexão."

Os sistemas sem fio apresentam também grandes vantagens de custo. No caso do Control4, o investimento inicial está na faixa de US$ 2.800, aproximadamente metade do custo mínimo de um sistema de automação convencional. Esse valor inclui um controlador básico, dois dimmers e uma tomada. No caso do Z-Wave, o custo depende da quantidade de módulos utilizados, o que, por sua vez, varia conforme as dimensões da área a ser coberta e a quantidade de funções incluídas. Cada módulo sai por volta de R$ 350.

Aprendendo a instalar

A rápida evolução das tecnologias sem fio está obrigando projetistas e instaladores a uma boa reciclagem. Tanto Z-Wave quanto Disac, assim como outros fornecedores de soluções automatizadas – como Crestron, AMX e D-Lite – investem em treinamentos para capacitar os profissionais encarregados de levar a novidade às residências de seus clientes.

"Só vendemos para integradores certificados", garante o diretor da Z-Wave no Brasil. "Além disso, acho importante que eles tenham um show-room, pois o Z-Wave não é um produto de prateleira. O consumidor precisa saber o que o sistema realmente faz".

Por sua vez, a Disac promove cursos de três dias para revendedores credenciados, a fim de instruí-los a usar os equipamentos Control4, de acordo com a necessidade de cada cliente. "Em um mês, já capacitamos entre 16 e 18 revendedores", garante Almeida.

O treinamento dos revendedores e instaladores é essencial, porque nenhuma das empresas vende diretamente ao consumidor final. E, embora simplifiquem a operação de todos os equipamentos, a implantação de sistemas sem fio exige, sempre, a participação de um técnico especializado, trabalhando sobre um projeto adequado às necessidades da casa.

De acordo com o diretor da Aureside, Caio Bolzani, o segmento de automação residencial sem fio tende a crescer muito no País nos próximos anos. Se depender nos fabricantes, pelo menos, isso deve se confirmar. "Em dois anos, queremos ser o maior distribuidor de Control4 do mundo – atrás somente do fabricante, nos EUA", diz Almeida. Di Simoni, por sua vez, afirma que o objetivo do Z-Wave é ser o Wi-Fi das redes de controle doméstico. Ao consumidor, portanto, cabe acompanhar as novidades e aguardar o que mais vem por aí.

Controles Inteligentes

Para quem ainda não está preparado para investir num sistema completo automação residencial, ou para aqueles que querem dar um "upgrade" no sistema que já possuem, uma boa dica são os novos controles universais que acessam a internet via rede Wi-Fi.

Um deles é o modelo T4 da RTI (foto), marca distribuída no Brasil pela Audio Gene. O controle inteligente traz tela VGA de 6,4", sensível ao toque (touch-screen), com 65 mil cores, contraste de 300:1 e alto-falantes estéreo embutido. Com a novidade, o usuário pode acessar a internet, através de uma rede wireless Wi-Fi (2,4 GHz) e, assim, abrir páginas na web ou imagens vindas de câmeras de segurança com protocolo IP.

Outra opção é o modelo TPMC-8X da Crestron. A solução conta com tela de 8,4", resolução SVGA (800 x 600 pixels), contraste de 500:1, além de 1Gb de memória flash e 512Mb de RAM. O touch-panel permite comandar a internet por meio de uma rede sem fio (WI-Fi) e visualizar as imagens de câmeras de segurança. O aparelho utiliza ainda o sistema operacional Windows XP customizado e integra microfone e falantes estéreo.

* matéria publicada na edição 133 da Revista HOME THEATER
 

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