Confira os destaques da última edição da Revista Home Theater que está nas bancas.
O que falta para consolidar o conceito de casa digital?
29/05/2007, por Erica Ogg
Fabricantes de equipamentos lançam novidades a toda hora; provedores de internet oferecem pacotes interessantes, que incluem sistemas para monitorar a casa; e operadoras de cabo e de telefone ampliam seus serviços de banda larga. Mas o centro de entretenimento na maioria das residências continua sendo o televisor, e este ainda não está plenamente conectado ao computador, que é onde está o conteúdo digital das famílias.
A questão que se coloca, portanto, é esta: quando PC e TV estarão de fato interagindo, para além do que já oferecem produtos como Slingbox e Apple TV? "Ainda vai demorar um pouco", prevê Josh Martin, analista de mercado do Yankee Group. "O consumidor só estará interessado em redes domésticas quando puder transmitir vídeo pela casa, de verdade".
A idéia de uma casa totalmente conectada atrai boa parte dos consumidores: os produtos mais vendidos dos últimos anos foram gravadores de vídeo digitais, roteadores de redes domésticas, MP3 players, receptores de cabo e câmeras digitais, segundo a CEA (Consumer Electronics Association). A entidade estima que quase um quarto das casas nos EUA já possui um gravador digital de vídeo (DVR). Cada um desses aparelhos é um importante elemento na expansão do universo digital, como querem fabricantes, provedores e operadoras.
Mais importante ainda, a adoção de redes de banda larga cresce rapidamente: 35% das casas americanas já têm uma conexão de alta velocidade, segundo o IDC. E até 2010 deve chegar a 60%; Como se sabe, esse tipo de conexão é essencial para distribuição de vídeo, principalmente de alta definição, dentro de uma casa.
No entanto, certas questões continuam desafiando os que anseiam pelo dia em que o PC finalmente irá "conversar" com o TV e os gravadores do tipo TiVo. A primeira delas refere-se ao chamado DRM (Digital Rights Management). "Infelizmente, quando se fala em proteção anti-cópia, muitos fabricantes evitam se envolver por medo de serem processados", admite Steve Koenig, da CEA.
Outro problema é uma certa confusão entre os próprios fabricantes sobre a melhor forma de implantar uma casa conectada. Já ficou claro para a maioria deles que há necessidade de parcerias para fazer chegar as tecnologias por inteiro às salas de estar. "Ninguém pode fazer nada sozinho, pois a evolução é muito rápida", confessa Brian Burch, diretor dessa área da HP. "Fabricamos TVs, computadores e servidores de mídia, mas não somos capazes de implantar toda a instalação digital de uma casa".
Uma coisa é certa: o vídeo é o centro dessa experiência de casa conectada. O problema é que, apesar da enorme oferta de vídeo on-line, ainda são poucos os aparelhos capazes de transferir esses conteúdos do PC para o TV. "Os consumidores já possuem uma boa quantidade de conteúdo digital, principalmente fotos, mas não uma quantidade suficiente para justificar o streaming", analisa Martin.
Bem, isso está começando a mudar. Algumas empresas estão produzindo pequenos dispositivos com essa finalidade, levando em conta que a maioria das pessoas prefere ver filmes e vídeos no sofá, e não sentadas diante do computador. Já temos o Apple TV, que permite baixar música e vídeo da loja iTunes para o TV, assim como o SlingCatcher, fabricado pela SlingMedia, capaz de baixar vídeos da internet para o TV - e o aparelho da Netgear, com o qual você pode acessar o YouTube através de seu TV comum.
Ainda são casos isolados, e talvez ainda seja cedo para disseminar esse tipo de serviço. Até agora, para os analistas, a discussão lembra a velha dúvida sobre quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. "O conteúdo não é visto porque não se pode vê-lo no TV, e ao mesmo tempo não há aparelhos com essa capacidade porque não há conteúdo", resume Martin.