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Como a Microsoft quer enfrentar o set-top-box?
22/06/2007, por Antone Gonsalves
Nos EUA, há muito tempo que a Microsoft tenta incluir seus softwares de televisão nos guias de programação das operadoras de TV a cabo. Uma delas, a Comcast, adquiriu o software TV Foundation Edition. Em maio último, porém, a operadora anunciou que iria abandonar esse recurso, passando a usar o Guide Works, software desenvolvido em conjunto com a Gemstar.
Na visão da Microsof, nenhum set-top-box atual terá condições de sobreviver no futuro, pois o modelo de TV será outro. "As pessoas não vão querer pagar por uma assinatura podendo acessar diretamente a internet para ver a programação que quiserem", diz Steven Van Roekel, gerente da área de Windows da empresa. Ele admite que algum tipo de cobrança terá de haver, para que o usuário não seja obrigado a pagar toda vez que quiser assistir a algum programa. Mesmo assim, diz ele, não será necessário nada além de uma boa conexão de internet.
Mesmo reconhecendo que esse cenário ainda está a alguns anos de distância, a Microsoft está preparando o terreno para entrar fortemente no segmento de televisão, com novidades como os softwares Home Server e Windows Vista, além do videogame XBox, que pode reproduzir não apenas DVDs de alta definição mas também conteúdo da internet. "Tudo isso é indicação de para onde se caminhará no futuro", diz Van Roekel, "e pretendemos estimular esse caminho".
Numa conferência realizada em maio, a Microsoft deixou claro que enxerga as redes domésticas como essenciais para introduzir o Windows no ambiente de entretenimento das famílias. Mas o aparelho que representa o maior desafio nessa estratégia está bem ali, na sala de estar: chama-se set-top-box, o conversor que permite acessar as programações pagas no TV.
A principal arma da empresa é mesmo o Windows Vista, que inclui softwares capazes de simplificar o ato de implantar uma rede doméstica sem fio e adicionar novos módulos a essa rede. Durante a conferência, o própria Bill Gates demonstrou o que chamou de Windows Rally, uma série de procedimentos para instalação de roteador wireless, central de rede e receptores de áudio e vídeo.
Gates aproveitou para antecipar o lançamento do Windows Home Server, previsto para chegar ao mercado no segundo semestre. Baseado no Server 2003, o novo recurso irá permitir, segundo ele, a comunicação mais fácil entre computadores diferentes conectados em rede para compartilhar conteúdos digitais, fazer backups diários e monitorar sistemas de segurança, inclusive firewalls e antivirus.
O foto da Microsoft é, declaradamente, a simplicidade, algo que se vem buscando desde a invenção do PC, há cerca de 25 anos. Essa simplicidade será chave se a empresa quiser mesmo distribuir programação de TV pelas redes domésticas. Para a maioria das pessoas, o ato de assistir TV exigiria então nada mais do que um controle remoto. Nesse cenário, os atuais conversores do tipo set-top-box evoluiriam para plataformas mais completas. Poderiam gravar e baixar filmes de provedores, mas também - como já mostram fabricantes como TiVo e Cisco - acessar a internet.
Por sinal, a Cisco - que já é dona da Linksys, fabricante de acessórios para redes sem fio - pode até se tornar um grande concorrente da Microsoft, se conseguir fazer com que seus aparelhos distribuam conteúdo da internet e programação de TV nas redes domésticas. Nesse caso, os acessórios da Linksys poderiam até proporcionar conexão sem fio para os PCs, que assim se transformariam em periféricos dos set-top-box. A Cisco ainda não fala do assunto, mas parece ter todas as armas para isso. "A Cisco saiu na frente porque tem a conexão que a Microsoft não tem", resume Ian Lao, analista da empresa de análises de mercado In-Stat.