Confira os destaques da última edição da Revista Home Theater que está nas bancas.
Conheça os receivers do futuro
15/01/2008, por Ricardo Marques
Todo sistema de home theater precisa dele. Até por isso, logo que os primeiros receivers de áudio e vídeo foram surgindo, receberam o apelido de cérebro do sistema. E não é nenhum exagero. Afinal, para que possamos ter som e imagem de cinema em nossas casas, antes os sinais de áudio e vídeo precisam passar por ele. Ou melhor, pelos seus processadores, decodificares, amplificadores, etc.
Esse é o segredo do receiver. Por dentro dele se esconde uma série de recursos que nos permitem inúmeras regulagens, sempre em busca do melhor desempenho. Mas muitas vezes fica difícil tirar vantagem de tudo isso. Nesse caso, ou recorremos a um profissional com experiência suficiente para nos ajudar, ou lemos o manual de instrução desses equipamentos, o que é muito útil, mas que poucos usuários fazem.
E é justamente para ajudar você a entender todo o potencial do receiver que resolvemos explicar os principais e mais avançados recursos disponíveis nos novos modelos. Um guia prático que pode servir de base para você, por exemplo, saber por onde começar na hora de transferir, sem a ajuda de fios, todas as músicas armazenadas no seu computador para a sua sala de cinema. Possibilidades são muitas e agora você terá uma idéia do que fazer para começar a tirar proveito de tudo isso. Acompanhe!
Continua valendo aquela velha máxima de quanto maior o número e a variedade melhor. A diferença é que conectores de vídeo como S-video, vídeo componente e DVI, começam a perder espaço para a tão aclamada conexão HDMI (High Definition Multimedia Interface). Entender os motivos é tarefa das mais simples. Num primeiro momento, a vantagem de um conector HDMI está no fato dele conseguir transportar, através de um único cabo, imagens em alta definição e som multicanal. Mas ele pode oferecer muito mais do que isso. Comparado com o melhor conector analógico, o vídeo componente, o HDMI (um conector digital) vence a batalha da melhor imagem pelo fato de permitir a condução dos sinais digitais entre o player e o receiver e, posteriormente, a um TV (plasma, LCD) ou projetor, sem a necessidade de sucessivas conversões digital/analógico e analógico/digital. Nesses processos, sempre há perdas e uma certa degradação do sinal. Ou seja, com o HDMI o sinal digital extraído do aparelho, que pode ser um DVD player, um moderno Blu-ray ou HD-DVD, é processado digitalmente e exibido na tela, sem nenhum tipo de interferência.
Mas a evolução desse conector não parou por ai. Hoje ele já está em sua quarta geração (HDMI 1.3) e embora mais difícil de ser encontrada, vale todo o investimento. O mais popular em equipamentos eletrônicos é o HDMI 1.1 (segunda geração), que consegue transferir até 7.1 canais de áudio (nos padrões Dolby Digital/DTS), além de oferecer compatibilidade com discos multicanal DVD-Audio e sinais de alta definição (1080p). A versão 1.2, pouco difundida, só inovou por conseguir incluir o SACD (Super Audio CD, outro formato multicanal) entre as opções para transferência de dados.
É no HDMI 1.3 que se esconde o máximo de evolução. A começar pelo aumento significativo na taxa de transferência dos sinais de vídeo, que saltaram de uma velocidade de transmissão de 4,95Gbps e largura de banda 165MHz (versão 1.1), para 10,2Gbps e 340MHz (versão 1.3). De forma mais simples, antevendo a revolução que o mercado de discos Blu-ray e HD-DVD iria causar, os fabricantes desenvolveram tecnologia que permite transportar os novos processadores de áudio desses formatos, além de garantir uma maior profundidade de cor (16 bits, o dobro da encontrada na versão 1.1). Assim, é possível transportar bilhões de cores e diversas gradações de tonalidades, inclusive de cinzas (contraste), o que resulta em imagens ainda mais nítidas.
Além dos tradicionais processadores Dolby Digital e DTS, para reprodução de áudio 5.1 canais, a maioria dos equipamentos incluem opções para salas com 6.1 ou 7.1 canais de áudio. Caso dos processadores Dolby Digital EX e DTS-ES, presentes em filmes que contam com uma trilha exclusiva para o terceiro canal surround (Monstros S.A, Os Incríveis, trilogias de Harry Potter, Star Wars e O Senhor dos Anéis, entre outros). O principio é simples, com a gravação exclusiva de uma trilha para o canal central de surround (6.1 ou 7.1, no último caso com as duas caixas emitindo o som do canal central), conseguimos um maior envolvimento já que temos a sensação de estar realmente no centro da ação. Há também os processadores que simulam os canais adicionais. Caso do Dolby Pro-Logic II e Iix , capazes de extrair de fontes estéreo até 5.1 canais de áudio (Dolby Pro-Logic II) ou 7.1 canais (Dolby Pro-Logic IIx). Na mesma linha, existe o DTS-Neo:6, concorrente dos processadores da Dolby Labs e que extrai até 6.1 canais a partir de fontes estéreo. (mais informações no www.hometheater.com.br, ou em HT nº135)
Mais avançados ainda são os que trazem os novos formatos de áudio (os chamados decoders HD) que surgiram junto com os players de alta definição Blu-ray e HD-DVD. Por enquanto, seis aparelhos lançados no mercado nacional decodificam o formato Dolby Digital Plus (DD+), porém não chega a três o número de modelos compatíveis com os formatos, Dolby Digital True HD e DTS-HD. Mas com o número crescente de players à disposição do consumidor (mais detalhes em HT nº137), a expectativa é que até o final do ano esse número possa aumentar significativamente.
O Dolby Digital Plus é capaz de incluir até 14 canais de áudio e ainda pode ser usado em transmissões da TV digital. A sua qualidade é explicada pelo aperfeiçoamento da tecnologia de compressão do sinal que, aliada à alta taxa de transferência (bitrate), atinge a incrível velocidade de 6.144 Mbits/s, contra apenas 640 kbits/s no Dolby Digital convencional. Graças a essa característica, além do alto envolvimento proporcionado, microdetalhes são reproduzidos com primazia.
Já o Dolby Digital True HD é o mais avançado processador da Dolby. Embora sofra compressão, não há perda de informação nesse processo (lossless). Não disponibiliza os 14 canais de áudio do DD +, mas trabalha com bitrates elevadíssimos, podendo chegar a 18 Mbits/s em até 8 canais de áudio, com resolução de 24 bits e amostragem de 192kHz. Toda essa característica deve transformá-lo no processador preferido dos audiófilos (e ser o mais utilizado na gravação de musicais), já que o som torna-se mais limpo e detalhado. No entanto, é necessário que o receiver traga a conexão HDMI 1.3, para a transmissão desses sinais.
O DTS-HD concorre diretamente com DD True HD e, por suas características, deve agradar em cheio os admiradores de música em alta fidelidade. Ele trabalha com até 8 canais de áudio, bitrate de até 24 Mbits/s e sem compressão (lossless). Como o seu concorrente, também necessita da interface HDMI 1.3 para ser transportado em formato 100% digital.
A princípio parece o bom e velho sistema de multiroom (Zone 2) que conhecemos, permitindo que levemos para outros cômodos sinais de áudio e vídeo que chegam no sistema principal. A diferença entre os novos modelos é que eles permitem levar sinais de áudio e vídeo (não amplificados) para mais dois ambientes, além do home theater principal (Zone 3), com a possibilidade de controlar individualmente cada aparelho ligado ao receiver de qualquer área.
Além disso, os receivers mais refinados possibilitam que configuremos o Zone 2 de acordo com as nossas necessidades, dando maior flexibilidade de utilização a todo o sistema. Caso dos modelos (Denon AVR-4308CI e AVR-3808CI) que possibilitam, por exemplo, ter um sistema de 5.1 canais no home theater e levar áudio estéreo para um segundo ambiente, ou ter 3.1 canais no sistema principal e sonorizar mais duas áreas adicionais. Tudo isso com a possibilidade de contar com saídas HDMI e RS-232C, e de controlar as fontes a partir de um segundo controle remoto, que acompanha esses receivers. Boa parte oferece saída amplificada de áudio para um segundo ambiente, economizando na instalação, já que dispensa a inclusão de um segundo amplificador nesse espaço. Além disso, em alguns modelos é possível trafegar os sinais de vídeo por meio da conexão HDMI, o que garante uma qualidade superior de imagem, mesmo em longas distâncias.
Como o próprio nome sugere, esse recurso faz com que o próprio equipamento efetue todos os ajustes necessários para um melhor rendimento de suas caixas acústicas. Para isso, eles trazem um microfone especial, que deve ser colocado na posição de audição, de preferência no centro da sala, para o receiver analisar as características acústicas do ambiente, determinar o tamanho de cada uma das caixas (Small ou Large), a distância delas até o local de audição e o tempo de retardo necessário para que os sons reproduzidos cheguem a esse local no tempo correto. O grande diferencial encontrado em receivers mais refinados é a tecnologia Audyssey MultiEQ, que além de fazer uma sintonia fina em todos os canais ainda efetua uma equalização automática do som para minimizar os problemas acústicos do ambiente.
O que ele faz é elevar virtualmente a resolução de qualquer fonte de vídeo de baixa definição, para valores típicos da alta definição, como 720p, 1080i e até 1080p (full HD). Para isso, ele interpola as imagens para que sejam exibidas em uma “resolução maior”. Basicamente, esses aparelhos convergem todos os sinais de vídeo para o melhor conector de saída disponível, que pode ser HDMI ou até mesmo vídeo componente. Como são conectores de melhor desempenho (imagine um sinal de TV a cabo que chega ao seu sistema via RF), efetuando o upconvert conseguimos obter melhoras significativas na definição de cores e contornos, sem falar na redução de ruídos. Os mais céticos limitam esse ganho na ordem de 20%. Já os mais otimistas sugerem que essa imagem se aproxima da alta definição. O certo é que o upconversion melhora a qualidade de fontes de baixa definição, mas não substitui uma fonte de alta resolução. Há modelos de marcas como Denon, Harman Kardon e Yamaha que contam ainda com a eficiente tecnologia Faroudja DCDi (Directional Correlational Deinterlacing), que ajuda a eliminar imperfeições comuns em vídeos, mesmo após o upconvert dos sinais, proporcionando maior suavidade e nitidez nas imagens.
Os novos receivers começam a trazer comunicação wireless Wi-Fi (b/g), oferecendo uma velocidade máxima para a transferência de dados de 54Mbps, funcionando dentro da freqüência de 2,4Ghz, a mesma dos telefones sem fios, microondas e dispositivos Bluetooth. Por isso, o único inconveniente dessa tecnologia é que esses equipamentos, por vezes, podem causar alguma interferência.
A comunicação Wi-Fi nos receivers (limitado a um único fabricante, até o momento) permite a troca de arquivos de fotos (no formato JPEG), e de músicas (formatos MP3, WMA e WAV) armazenados em um computador ou qualquer outro dispositivo compatível com redes sem fios, sem a necessidade de cabos.
Uma boa parte dos modelos topo-de-linha são compatíveis com serviços que permitem a captação e reprodução de rádios digitais on-line diretamente no home theater. Além da transmissão digital ser melhor em termos de qualidade, fora do Brasil é possível encontrar algumas estações que transmitem áudio multicanal, caso da XMHD, que oferece musicais e até programas de TV com som 5.1.
A grande maioria oferece dock stations que conecta o iPod ao receiver, para reproduzir vídeos ou fotos na tela do home theater através de conexão S-Video e melhora a qualidade musical via conectores estéreo analógico. Além disso, permite que as canções preferidas fiquem armazenadas nesses pequenos players, diminuindo o número de discos. E o melhor: tudo comandado pelo controle remoto do receiver.
Se você possui um MP3 de outra marca, pode fazer a conexão pela entrada de áudio estéreo do receiver (com um cabo ou adaptador Y P2–estéreo RCA). O único inconveniente é que sempre será necessário conectar o cabo para ouvir as músicas, além de não recarregar a bateria, já que não existirá uma base para fixá-lo. Os novos equipamentos ainda trazem conectores USB, graças a isso, é possível transferir de um pen drive fotos e músicas para serem reproduzidas no home theater.
A potência da maioria dos receivers está situada na faixa dos 100 watts (RMS) por canal e, no caso dos modelos mais sofisticados, todos já trazem compatibilidade para configurações 7.1, ou seja, com duas caixas surround adicionais. Com 100W de potência por canal, esses equipamentos são adequados para a grande maioria das salas, já que são suficientes para sonorizar ambientes de até 30m2. Mas aqui sempre vale uma ressalva. Maior potência não significa melhor qualidade. A qualidade do áudio está diretamente ligada à categoria do trabalho de construção do receiver, dos materiais empregados, dos amplificadores e até mesmo da fonte de alimentação.
É por isso que um receiver com menor especificação de potência não é, necessariamente, inferior a um que traga números grandiosos. Prova disso é que não existe um padrão para a medição da potência. Alguns fabricantes especificam a potência com todos os canais funcionando ao mesmo tempo, enquanto outros preferem medi-las com apenas dois canais acionados. Em resumo: como vale para a maioria dos equipamentos de áudio é vídeo, só descarte um receiver da sua lista de compras depois de escutá-lo com o seu disco de referência.