Confira os destaques da última edição da Revista Home Theater que está nas bancas.
A força dos subwoofers compactos
19/05/2009, por Alex dos Santos
A potência de saída de um subwoofer
pode influenciar decisivamente no desempenho dos graves, porém isso não
significa qualidade. A maioria dos subwoofers compactos pode ser utilizada em
ambientes de até 15m2. Em uma sala desse porte, um sub com potência entre 100 e
200W RMS, teoricamente, seria capaz de proporcionar um bom rendimento quando
ligado a um receiver com potência de 50 a 100W RMS por canal. Um sub que possua
amplificador interno capaz de liberar potência equivalente ao dobro da gerada
pelo receiver para as caixas frontais, poderá desempenhar graves fortes por toda
a sala com um mínimo de distorção.
Mas essa regra nem sempre é válida
para ambientes grandes e demasiadamente amortecidos acusticamente – com excesso
de estofados, almofadas, cortinas e tapetes. Para esses casos, potência
nunca é demais; por isso, o auxílio de um especialista em home theater
certamente será fundamental para a escolha de um subwoofer capaz de exercer
melhor pressão sonora para sua sala.
Já o tipo de amplificador utilizado internamente no subwoofer é um
elemento que pode influenciar não só na potência como também no tamanho do sub.
A maioria dos modelos emprega amplificação Classe A/B e H (ambas encontradas em
quase todos os receivers), que oferecem elevada potência e musicalidade, porém,
o seu projeto de construção requer grandes componentes.
No caso dos
subwoofers compactos, é comum apresentar amplificação
Classe D, também chamada de digital, que têm como principais características
o seu tamanho reduzido e o alto rendimento, aliando alta potência e baixa
dissipação térmica. Com isso, é possível que alguns amplificadores de Classe D
ofereçam menor consumo de energia.
WOOFERS
Era comum ver especialistas torcerem o nariz
a subwoofers pequenos, argumentando que para um bom sub quanto maior o tamanho
do gabinete e o diâmetro do cone, mais eficiente são a reprodução das baixas
freqüências. Para acabar com essa tese, fabricantes criaram tecnologias para
garantir que a excursão de um cone de 6,5” ou 8” tenha uma amplitude semelhante
ao de outro de 10”, fazendo com que o woofer movimente um bom volume de massa de
ar.
Certos modelos possuem ainda o chamado radiador passivo, uma espécie de
driver cujo funcionamento é obtido por meio da intensidade de ar gerada pelo
falante principal. Essa característica resulta numa maior pressão sonora e
melhor reprodução das baixas freqüências.
Boa parte dos subwoofers compactos traz o woofer posicionado na
parte frontal do gabinete (front-firing), para ser direcionado ao ouvinte,
facilitando a instalação. Mas não é raro encontrar modelos com falante
posicionado na parte inferior do gabinete (down-firing), o que favorece a
dispersão omnidirecional das baixas freqüências, embora demandam maior tempo
para que o usuário encontre a melhor posição para a instalação na
sala.
GABINETE
No caso do gabinete, ele está diretamente
ligado ao tamanho do woofer (ou woofers) utilizado(s) e possui grande influência
sobre a resposta das freqüências mais baixas. Dependendo do projeto do
fabricante, um subwoofer pode ser construído com gabinete ventilado (ou
bass-reflex), que possui duto de saída de ar ou de suspensão acústica, também
chamado de selado (closed-box) por não apresentar o duto.
Há muitas
controvérsias sobre qual é o melhor tipo de gabinete, visto que os subwoofers
evoluíram muito desde que os primeiros modelos ativos bass-reflex surgiram. Boa
parte dos subs compactos possui gabinete selado que, dependendo do modelo, pode
ser de madeira MDF ou de alumínio. Em geral, os do tipo selado proporcionam
graves impactantes para filmes, além de baixa distorção e precisão para música.
COMO AJUSTAR O SUBWOOFER
Para um ajuste
minucioso do subwoofer, o ideal é contar com a ajuda de um decibelímetro
(instrumento para medição de pressão sonora). Esse aparelho permite seguir à
risca as recomendações da Dolby Laboratories e da Lucasfilm. Existem ainda soluções complexas indicadas a
usuários avançados e com bom domínio da língua inglesa. É o caso dos discos de
calibragem, como o famoso Video Essentials (não distribuído oficialmente no Brasil),
encontrado em algumas lojas especializadas em home theater.
Softwares
específicos para ajustes sonoros, como o ETF (www.acoustisoft.com)
necessitam de um microfone à parte para calibragem e, claro, de um computador.
Fabricantes como Velodyne, JL Audio e Sunfire oferecem subwoofers
inteligentes, que incorporam softwares (processador digital DSP) com recurso de
calibragem. Eles analisam a acústica do ambiente, para efetuar a correta
equalização e o ajuste de pressão sonora. Além de otimizar o desempenho do
subwoofer no sistema, a calibragem automática permite maior flexibilidade de
posicionamento do sub na sala, pois a calibragem será feita a partir do
subwoofer posicionado no local preferido pelo usuário.
Já o ajuste
básico do sub pode ser feito pelo próprio usuário, de maneira simples e rápida.
Primeiro, basta definir o tipo de caixa acústica que você utiliza em seu
sistema, a começar pelas frontais. Se for do tipo compacta, seja bookshelf ou
satélite (entre 10cm e 79cm), selecione SMALL; ou LARGE para caixas grandes ou
torres (acima de 80cm de altura).
Quando o escolhido é SMALL, parte dos
graves (sinais LFE – Low Frequency Effects) que seria destinado aos canais
frontais passa a ser reproduzido somente pelo subwoofer. A próxima etapa é
definir a freqüência de corte, que permitirá ao subwoofer responder a partir de
determinadas freqüências (em Hz). No caso de caixas compactas, esse ajuste pode
ir de 80Hz a 120Hz, porém, certos receivers não trazem essa possibilidade,
somente valores fixados em 80Hz. Mas se as caixas do sistema, em especial as
frontais, são grandes (LARGE), o subwoofer reproduz apenas os sinais LFE.
Após realizar essas configurações no receiver, é necessário posicionar o
controle do divisor de freqüências (crossover) do subwoofer na mesma frequência
escolhida anteriormente no menu receiver ou manter o crossover totalmente
aberto. Neste mesmo local, há uma chave denominada PHASE 0/180 graus, que é útil
para dar maior sintonia aos graves reproduzidos tanto pelas caixas frontais
quanto pelo subwoofer.
O MELHOR POSICIONAMENTO
Em um home theater não há uma
posição definida para o subwoofer, como ocorre com as demais caixas acústicas do
sistema – frontais, central e surrounds. Ao contrário das caixas convencionais,
onde os sons emitidos são direcionais, os subs propagam ondas sonoras
omnidirecionais, portanto, em qualquer local da sala que o subwoofer estiver
instalado, será possível sentir os graves. Mas há algumas recomendações que, ao
serem seguidas, podem melhorar a performance de um sub.
O posicionamento na parte frontal da sala, próximo às caixas esquerda ou
direita, permite ao subwoofer complementar com muito mais harmonia e eficiência
as baixas freqüências não reproduzidas por essas caixas. Isso ocorre,
especialmente, quando se trata de caixas compactas, onde a resposta nas baixas
freqüências não passa de 80Hz. Outra dica é instalar o sub entre as paredes
frontal e lateral da sala (no canto), e obter um ganho em nível de volume maior,
com um acréscimo próximo de 3 decibéis. Ao ser instalado nessa posição, é
possível fazer com que o sub possa tocar naturalmente mais alto e trabalhar com
menor distorção e potência.
E, finalmente, nunca instale o subwoofer
sobre prateleiras de móveis. Em último caso, procure desenhar um nicho no móvel,
preservando 10cm entre o sub e as paredes da estante. Além disso, o piso do
móvel deve ser vazado, já que o sub irá ficar em contato direto com o piso de
alvenaria ou sobre uma pedra de granito ou mármore. Todas essas medidas devem
ser tomadas para que as ondas mecânicas não provoquem vibrações em toda a
estrutura do móvel, prejudicando a inteligibilidade sonora nas demais
freqüências.
Por fim, se você é exigente e busca atingir o melhor desempenho, o ideal é
fazer experiências com o sub e reproduzir como tons de teste um sinal sonoro de
baixas freqüências (pode ser música ou trecho de filme) que você conheça bem.
Neste caso, é preciso posicionar o subwoofer em diferentes locais, desde que
seja na parte frontal da sala. Quando os graves estiverem mais fortes,
controlados e ainda não provocar ressonâncias nos móveis da sala, é porque você
conseguiu encontrar o melhor posicionamento para o seu subwoofer.