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TV 3D finalmente deixa de ser só teoria
07/07/2009, por Dennis P. Barker
“A projeção 3D estereoscópica é o mais incrível avanço tecnológico do cinema desde a introdução das cores e das telas widescreen” James Cameron, cineasta
Os filmes em 3a. dimensão datam dos anos 50 do século passado. Naquela época, usavam-se óculos com revestimento de celofane, nas cores verde e vermelho, simulando uma lente que parecia fazer as imagens saltarem para fora da tela. Infelizmente, não durou muito. Houve ainda uma tentativa com o formato de projeção cinerama, que pretendia produzir o mesmo efeito sem os tais óculos. Mas era uma solução tecnicamente problemática, pois exigia em cada sala de cinema nada menos do que três telas curves, três cameras e três projetores – tudo isso sincronizado!
Mas, recentemente, o cinema 3D reapareceu, em filmes como Beowulf, O Galinho Chicken Little, Bolt e Jornada ao Centro da Terra, entre outros. Na verdade, trata-se da tecnologia chamada “3D estereoscópico”. Agora, utilizam-se óculos polarizados, para diminuir a fadiga visual. As lentes polarizadas alternam a passagem das ondas de luz entre o olho direito e o esquerdo, um de cada vez, de modo a criar a ilusão de maior profundidade na imagem. Assistir a um desses filmes é de fato um espetáculo impressionante.
Nos EUA, eventos como o All-Star Game, da NBA, e alguns jogos de futebol americano vêm tendo transmissões de TV experimentais em 3D. O sinal é gerado apenas para salas de cinema específicas, ou para algumas redes de circuito fechado, e em ambos os casos as reações têm sido muito boas. A empresa de pesquisas Quixel fez um estudo revelando que três quartos dos consumidores americanos já viram um filme em 3D, e que quase todos o recomendam a amigos e familiares.
A comunidade cinematográfica também parece ansiosa pelas perspectivas da novidade. Como resume o diretor e produtor James Cameron – que atualmente finaliza seu novo filme, Avatar, utilizando esse processo – o problema dos cineastas agora não é mais perguntar se devem ou não aderir ao 3D. “As razões são óbvias”, diz ele. “Não existem mais pontos negativos. O problema de cada é um é saber usar sua criatividade para transformar a tecnologia 3D parte de seu processo produtivo”.
Vamos então analisar aqui os tipos de tecnologia 3D atualmente disponíveis e como estão as pesquisas dos fabricantes a respeito.
3D ESTEREOSCÓPICO (COM ÓCULOS)
Simultaneamente ao interesse crescente da comunidade cinematográfica, a tecnologia 3D também está chegando às residências, através de algoritmos inovadores desenvolvidos pela Texas Instruments. Usando o chip DLP (Digital Light Processing), esses displays permitem ao usuário assistir a filmes jogar videogames usando óculos especiais.
A tecnologia DLP 3D foi lançada pela Texas no início de 2007. As imagens direita e esquerda são combinadas num quadro único, em displays com taxa de atualização de 120Hz. Esse formato preserva a resolução horizontal e vertical das duas imagens, melhorando bastante a experiência visual. Para configurar o TV no modo 3D, o usuário precisa adquirir um kit que inclui óculos, emissor de infravermelho (a ser conectado ao TV HD) e um software. A Samsung, por exemplo, vende esse kit no mercado americano por 129 dólares.
Os óculos do sistema DLP 3D utilizam tapa-olhos que abrem e fecham a cada 1/60 de segundo, permitindo que cada olho enxergue a imagem dentro da freqüência de 120Hz (120 amostragens por segundo, sendo 60 de cada lado). Dessa forma, não existe cintilação (flicker), principal fator da fadiga visual. Depois de instalar o software em seu PC, este deve ser conectado ao TV via cabo DVI ou HDMI; em seguida, basta iniciar o modo 3D no TV e pronto.
Já existem no mercado internacional mais de 500 mil exemplars de TVs DLP de retroprojeção com capacidade para serem adaptados à reprodução em 3D. Entre os principais fabricantes, destacam-se Mitsubishi e Samsung, sendo que esta última também incluiu o processo 3D em seus plasmas da Série 4. Todos são modelos Full-HD de 120Hz.
Mas, enquanto no cinema o 3D é bem-vindo porque oferece aos estúdios a possibilidade de cobrar a mais pelo ingresso, nos sistemas residenciais não há ainda uma padronização. E, sem isso, os estúdios relutam em lançar mais filmes compatíveis com o formato. Temos hoje apenas alguns games, como Call to Arms, e filmes já codificados em 3D. Os obstáculos são muitos. Existem 25 sistemas diferentes de projeção 3D, sem que tenha sido definida uma norma técnica, seja para DVD ou Blu-ray.
Uma grande aposta da indústria para popularizar os equipamentos 3D está nos videogames. Os jogadores irão adorar os efeitos visuais em jogos como os de corridas e tiroteios. A tecnologia 3D é o tipo de recurso que facilitar a imersão dentro do jogo. Espera-se que os jogos de computador adotem o 3D antes mesmo que os consoles Xbox e PlayStation; estes terão que esperar as próximas gerações de aparelhos para poder introduzir a novidade, embora também seja possível que Microsoft e Sony ofereçam algum tipo de atualização de firmware (e também os óculos) para antecipar a tendência.
3D AUTO-ESTEREOSCÓPICO (SEM ÓCULOS)
Mas parece que a grande expectativa sobre a chegada do 3D gira em torno dos sistemas que dispensam o uso de óculos especiais. Nos últimos anos, empresas como Philips e LG vêm trabalhando nesse tipo de solução, usando displays LCD, mas até o momento eles só estão disponíveis para uso comercial ou sinalização digital (veja o vídeo). Não são ruins, mas também não têm aquele impacto! E custam caro: a partir de 10 mil dólares por um TV LCD de 42”.
A Philips tem sido a mais ativa nesse campo, lançando displays 3D com tamanhos de 52”, 42”, 22” e até 8” – chegou a mostrar na Europa até um protótipo de 132”, juntamente com o player Blu-ray que também reproduz imagens em 3D. A empresa – que recentemente anunciou estar abandonando a produção desses displays – utilizava a tecnologia de projeção Multiview, do tipo lenticular, que favorece a exibição para várias pessoas ao mesmo tempo sem sacrificar a qualidade (não é necessário ficar de frente para a tela). Sobre esta é fixado um conjunto de lentes transparentes que envia imagens diferentes para cada olho, de modo que a pessoa veja sempre duas imagens distintas. O cérebro as combina para criar o efeito 3D, e a transparência resulta em taxas mais altas de brilho e contraste, além de melhor representação das cores.
Na última CEDIA Expo, em setembro do ano passado, a empresa NeweSight-X3-D causou sensação com um equipamento que não exige óculos e é extremamente realista – o único problema é que a distância máxima de visualização é de 6m50. O equipamento já pode ser visto em shoppings e aeroportos dos EUA, com telas de 60” e 70”, fabricadas por Pioneer e Mitsubishi.
Por sua vez, a LG utiliza displays LCD Full-HD de 42” com um software 3D patenteado pela empresa Parallax, além do processamento interno True3-D.
CONECTIVIDADE
A conexão HDMI parece ideal para a distribuição de sinais 3D dentro de uma casa. A versão atual 1.3 dá suporte à transmissão de até 10 gigabites por segundo, suficientes para transportar as duas imagens (direita e esquerda) em 1080p na freqüência de 60Hz (que não ocupa mais do que 8Gbps). Mas os fabricantes querem algo compatível com taxa de 120Hz para cada imagem, o que exige displays de 240Hz – e estes somente agora estão chegando ao mercado.
A curto prazo, a indústria precisa definir uma maneira de transportar informação 3D via HDMI junto com o chamado metadata. É uma tarefa para a força-tarefa criada pela CEA (Consumer Electronics Association), que deve atualizar sua norma CEA861. Esta define a interface recomendada para transmissão de vídeo sem compressão de acordo com o padrão HDMI. A nova especificação 861 pode vir a ser a base para as demais conexões digitais, incluindo as do tipo DisplayPort e os links sem fio.