Confira os destaques da última edição da Revista Home Theater que está nas bancas.
Home theater, de acordo com o orçamento
28/07/2009, por Eduardo Bonjoch
O primeiro passo, muitos usuários já deram: compraram um TV de tela fina. Outra parcela de consumidores preferiu aguardar um pouco mais e terá de adquirir todos os itens de uma vez. Independente de qual for o seu caso, a boa notícia é que existem projetos de todos os tipos, preços e para os mais variados tamanhos de salas. E, em tempos de crise, nada melhor do que definir o equipamento de acordo com o espaço disponível e as necessidades de cada família. Assim, você consegue evitar gastos desnecessários, otimizando o orçamento para os itens que realmente interessam.
Aqui, elaboramos um roteiro com dicas para entrar no mundo do home theater. As opções de projetos foram criadas considerando o valor que se quer investir. Vale lembrar que os preços dos produtos podem variar de acordo com a cidade, a marca escolhida e a cotação do dólar – grande parte dos aparelhos indicados é importada e está à venda no País através de distribuidores autorizados. Outro detalhe: não consideramos os gastos com arquiteto, itens de decoração (móvel, sofás, cortinas, luminárias) e forro de gesso. Confira nossas sugestões e boa diversão!
De R$ 5.000 a R$ 6.000
Esta é a faixa mínima de investimento para montar um home theater com uma tela fina (indispensável nos dias de hoje) e um modesto sistema integrado (daqueles que já incluem, no mínimo, o receiver e as seis caixas acústicas – duas frontais, uma central, duas surround e um subwoofer).
Quando o orçamento está muito apertado, cabe ao usuário definir qual será a prioridade: o som ou a imagem. Se escolher a segunda opção, você poderá utilizar pouco mais que a metade do valor disponível na compra de um TV de plasma Full-HD de 42”, que já atinge a máxima resolução dos discos Blu-ray (1.080p) e da TV digital brasileira (1.080i). Também com cerca de R$ 4.000, é possível adquirir um TV LCD Full-HD de 40”. Telas desse tamanho são bastante indicadas para salas de tamanho médio (de 15m2 a 20m2).
O restante ficará para a compra do sistema integrado. Os modelos mais básicos (com caixas pequenas) custam em torno de R$ 800 e só devem ser instalados em ambientes pequenos. Mais generosos em recursos e potência, os kits com caixas torre são utilizados em salas médias. A maioria custa entre R$ 1.000 a R$ 2.000. De qualquer forma, o resultado é sempre inferior ao que se tem com receiver e caixas acústicas independentes. Quando a idéia é privilegiar o som, a melhor saída é adquirir um TV LCD de 32” com resolução HD (1.366x768 pixels). Alguns modelos custam a partir de R$ 1.800. Já o sistema integrado pode ser mais robusto, com caixas e receiver de melhor qualidade. Dá até para colocar um DVD player independente. Esse tipo de configuração é facilmente encontrado em lojas especializadas.
Dicas
* Reserve R$ 300 para um filtro de linha, dispositivo indispensável na proteção do sistema, por mais básico que seja. E não pense em aproveitar os cabos que acompanham os aparelhos, quase sempre de baixa qualidade. Procure investir em torno de 10% do valor total do equipamento com esse item, que é extremamente importante para garantir a performance do home theater.
* Na parede, a tela fina fica muito mais charmosa. Por isso, é bom pensar no suporte, que custa a partir de R$ 400.
* Não tente fazer tudo sozinho. Grandes magazines cobram de R$ 200 a R$ 300 para instalar a tela fina e o home theater integrado. Com um pouco mais, você pode contratar uma loja especializada, que é capaz de entregar um serviço mais completo e profissional, ocultando o cabeamento e deixando todas as caixas na posição ideal. Além disso, a maioria presta um serviço permanente de atendimento pós-venda, quase sempre 24 horas por dia.
De R$ 10.000 a R$ 12.000
Com este orçamento, já fica mais fácil incluir um TV Full-HD (LCD ou plasma) na configuração de áudio e vídeo. Separe, no mínimo, R$ 4.000 para ele (telas de 40” ou 42”). Com R$ 2.000 a mais, você consegue levar um plasma Full-HD de 50”, uma boa opção quando se quer valorizar o tamanho da imagem em ambientes médios.
Na parte de áudio, o usuário pode escolher um sistema integrado mais robusto, com caixas bookshelf ou do tipo torre, ou partir para uma solução com receiver, DVD player e caixas independentes. Neste caso, as limitações de orçamento só permitirão a instalação de um conjunto básico de caixas satélites (as menores dentro do segmento das compactas) ou bookshelf.
Se preferir sacrificar um pouco na resolução da tela (optando por um TV HD de 37”, por exemplo, que custa em torno de R$ 2.500), você conseguirá reservar uma quantia maior para a escolha das caixas e do receiver, beneficiando a reprodução do áudio. E dependendo da combinação entre tela, receiver e caixas pode até sobrar cerca de R$ 1.500 para a compra de um Blu-ray player.
Dicas
* Ao partir para os sistemas com receiver e caixas independentes, o usuário começa a precisar necessariamente dos serviços de uma loja especializada. Só um profissional da área saberá combinar os equipamentos corretos e fazer os melhores ajustes, visando atingir a performance máxima do home theater de acordo com as características de cada sala.
* Instalar caixas traseiras de embutir tem sido a solução adotada pela maioria dos usuários que investem a partir de R$ 10.000. Trata-se de uma saída barata (alguns modelos custam a partir R$ 200) e esteticamente impecável para salas multiuso. Na hora de fazer o forro, prefira o gesso acartonado, que custa um pouco mais caro. Por outro lado, é mais eficiente no controle das vibrações e do “vazamento” acústico, sendo ideal para apartamentos.
R$ 15.000
Esqueça os sistemas integrados. Projetos desse valor possibilitam a aquisição de um bom receiver (inclusive com conexão HDMI/valor: a partir de R$ 2.100) e um refinado DVD ou Blu-ray player (também na mesma faixa de preço). Para usufruir da máxima resolução deste formato (1.080p), a presença de um TV Full-HD torna-se indispensável. O tamanho (42”, 47”, 50” ou mais) vai depender das dimensões de cada sala. E reserve parte do dinheiro (em torno de R$ 800) para a compra de um conversor de TV digital (se a sua cidade já receber os sinais HDTV das emissoras) ou gravador HD (R$ 1.700), capaz de exibir e armazenar conteúdo de alta definição. Dá também para optar por um decoder de TV por assinatura compatível com os novos sinais.
Tendo uma maior quantia disponível, o usuário pode pensar em colocar caixas bookshelf (compactas que, quase sempre, tem até 50cm de altura) mais sofisticadas, com cerca de 100W de potência. E por que não em modelos do tipo torre de categoria básica – sugestão interessante para os canais frontais de grandes ambientes por oferecerem em torno de 120W? Em todas as simulações, consideramos a instalação de caixas surround embutidas no forro de gesso – a maioria com potência entre 60W e 100W.
Dicas
* Quanto maior o investimento, maior deve ser o cuidado na escolha dos cabos e acessórios de proteção, para aumentar o rendimento e a durabilidade do sistema.
* Considere, acima de tudo, as medidas do local e os hábitos da família na escolha da tela e das caixas acústicas. Não adianta instalar um TV imenso e caixas torre num ambiente de 12m2. Melhor investimento será feito se você adquirir caixas compactas mais sofisticadas e um TV de tela menor com resolução Full-HD.
* Não deixe de visitar o show-room das lojas especializadas. Em geral, os instaladores costumam montar diversos ambientes, que ajudam o usuário a relacionar o tamanho da sala ao valor dos equipamentos.
R$ 20.000
Por mais que um TV Full-HD seja prático e eficiente, nada se aproxima mais da realidade dos cinemas do que a dupla projetor e tela de projeção. Com cerca de R$ 7.000 de investimento, você pode montar um sistema com projetor HD (resolução de 1.280x800 pixels, por exemplo) e tela elétrica de 84”. E se quiser incluir um televisor Full-HD de 42” e um Blu-ray na lista, cerca de R$ 13.000 do orçamento já ficará comprometido.
Para o áudio, há várias opções de caixas: satélites, compactas do tipo bookshelf ou torres de entrada. Se a intenção for turbinar o áudio, o usuário pode abrir mão do TV Full-HD de 42”, ou até substitui-lo por um TV HD de tamanho menor, mantendo somente a tela de projeção. Neste caso, o controle da luminosidade no ambiente torna-se fundamental, já que o excesso de luz atrapalha muito as projeções, deixando as imagens “lavadas”. E como a maioria dos novos receivers tem 7.1 canais, você pode instalar até quatro caixas traseiras de embutir, o que é ideal para grandes espaços.
Dicas
* Trocando a tela elétrica pela fixa (bem mais barata) e desistindo da idéia de incluir um TV no sistema, sobra uma quantia maior para investir no projetor e nas caixas acústicas.
* Com cerca de R$ 2.000, você pode automatizar as luzes do home theater e controlar a iluminação através de um painel de parede ou sofisticado controle remoto.
* Receivers a partir de R$ 2.000 já permitem sonorizar um segundo ambiente, aproveitando a saída B para caixas acústicas. O mesmo som da sala principal será ouvido no espaço anexo.
R$ 30.000
Sem grandes restrições orçamentárias, é possível incluir a dupla TV Full-HD de 42” e projetor Full-HD. Some à lista uma tela elétrica de 84” e você terá cerca de R$ 19.000 do orçamento dedicados à imagem. Mas lembre-se: um investimento desse só faz sentido se você tiver fontes HD em casa. Procure adquirir, pelo menos, um conversor de TV digital e um Blu-ray player ou PlayStation 3 (videogame que também reproduz DVDs de alta definição).
Se quiser valorizar o áudio, substitua o projetor Full-HD por outro de resolução mais modesta, mas mantenha o TV Full-HD. A diferença ajudará na escolha de um conjunto de caixas torre ou bookshelf de valor intermediário. Para alimentá-las, é indispensável adotar um receiver de alta potência (a partir de 100W). Melhor ainda se já trouxer a conexão HDMI, que facilita a instalação com o TV/projetor e o Blu-ray, mantendo a mesma qualidade da imagem original.
Ao optar por um receiver mais avançado, o usuário poderá ganhar duas saídas para multiroom, útil para sonorizar dois ambientes adicionais com músicas distintas. Outra saída é ligar um controlador de multiroom à saída pré-amplificada do receiver, o que permite aumentar os limites do som ambiente e também curtir canções diferentes em dois locais da casa. Algumas empresas trabalham com kits prontos, que incluem controlador, controle remoto e painéis de parede. Para ter este tipo de comodidade num orçamento de R$ 30.000, o usuário terá de economizar em vários outros itens do home theater. Afinal, além do kit, é necessário prever o número de caixas, os cabos e outros acessórios, muitas vezes indispensáveis, como os extensores de sinais infravermelho. São eles que possibilitam comandar o home theater a distância para trocar a faixa do CD, por exemplo.
Dicas
* Optando por um controle remoto mais sofisticado (daqueles que aprendem facilmente as funções dos demais aparelhos), o usuário é capaz de comandar luzes, cortinas e ar-condicionado. Ou seja, seria o primeiro passo para a automação doméstica.
* Com cerca de R$ 35.000, já dá para pensar num sistema de áudio modular, composto por amplificador e processador independentes. Esse tipo de configuração, quando acompanhado de caixas refinadas, costuma resultar em mais potência e detalhamento sonoro.
*Publicado originalmente na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL.
Consultoria: Edson Kei (Imagic/SP), Fernando Ely (Áudio & Vídeo HTS/RS) e Roberto Mattos (Audio Excellence/RJ)