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O Melhor lugar para o TV na sala

18/08/2009, por Paulo Sergio Correia

A compra de um novo display, seja plasma, LCD ou mesmo um projetor, gera sempre muitas dúvidas. E uma das mais comuns refere-se ao tamanho da tela e à resolução, dois fatores intimamente ligados e que dependem diretamente da distância de visualização.

A distância ideal de visualização de um display é um conceito complexo, e que vem mudando nos últimos anos. Uma regra antiga aconselhava manter o display e o sofá a uma distância de duas a três vezes a altura da tela, mas isso pode não condizer com a realidade atual. Os displays antigos tinham a relação de aspecto 4x3 (largura x altura); os atuais são 16x9 (widescreen), ou seja, a imagem tem menor altura e maior largura, num formato mais adequado à visão do ser humano.

O padrão widescreen, devido à menor altura da imagem, viabiliza a utilização de telas maiores em ambientes com pé direito mais baixo, principalmente em pequenos auditórios e salas de home theater onde não há desnível no piso e os assentos estão dispostos em fileiras.

Uma pessoa sentada confortavelmente significa em média uma obstrução de 1m20 na altura da visão das fileiras de trás; se imaginarmos uma sala com pé direito de 2m80 utilizando uma tela de 100 polegadas no formato 4x3, com área visual de 1m50x2m (3m²), somados às tarjas superior e inferior mais a “caixa” da tela, teríamos no mínimo 1m70 de altura. Mesmo encostando a tela no teto, a imagem começaria a 1m10 do piso, o que pode significar a perda das legendas ou de outro conteúdo na parte inferior.

Uma tela widescreen de 106 polegadas tem área visual de 1m32x2m34 (3,08m²). Fazendo a mesma conta, ganhamos quase 20cm em relação ao piso e com praticamente a mesma área de projeção (veja aqui o novíssimo TV com tela superwide, 21x9, da Philips).

Outro ponto muito importante a ser considerado é que a resolução dos equipamentos vem crescendo. Os antigos se limitavam a aumentar o tamanho da imagem, mantendo praticamente a mesma quantidade de pixels. Quando visualizados a curta distância, estes eram facilmente notados, causando incômodo visual: parecia que estávamos olhando através de uma tela mosquiteiro! Essa limitação por si só exigia maior distância do espectador; alguns chegavam a utilizar displays menores dentro de um mesmo espaço.

Os equipamentos atuais contam com resolução até seis vezes mais alta e permitem visualização bem mais próxima, sem esse incômodo. Para entender esse conceito, pense num outdoor eletrônico, desses que encontramos nas ruas de qualquer grande cidade. A resolução é tão baixa que de perto não há composição das imagens. Porém, isso não chega a ser problema. Essas telas cumprem sua função porque normalmente são visualizados de muito longe.

Quando se fala em resolução, vale a regra: quanto menor a distância ou maior o display, maior o número de pixels (ou de linhas) necessários para obter uma imagem uniforme. Da mesma forma o contrário: nos displays Full-HD de até 50 polegadas, a densidade de pixels é tão grande (1920x1080) que quando visualizados a mais de 3 metros os benefícios podem ser questionáveis. Basta levar em consideração que um display “HD” de 1280x720 é bem mais barato e que nesta distância os pixels não incomodam.

No dimensionamento de um home theater, devemos procurar o conforto visual sem esquecer a importância do tamanho da imagem. Sofás e poltronas devem ser posicionados de frente para a tela, numa distância onde seja possível visualizar todo o conteúdo desta, sem precisar movimentar o pescoço. Admitem-se apenas pequenos movimentos dos olhos, pois em filmes (e não só os de ação) há muitos detalhes para ser captados em lapsos de segundo.

A SMPTE (Society of Motion Pictures and Television Engineers) recomenda  que o tamanho da imagem em um home theater ocupe 30 graus do campo de visão no plano horizontal; é praticamente o que sugere o padrão de certificação THX: pelo menos 26 graus de ângulo de visualização para os assentos situados nas filas traseiras. A THX considera 36 graus como o melhor ângulo de visualização. 

Há regras também para o ângulo vertical e altura da imagem, que são muito importantes para ambientes com pé direito mais alto. Num auditório, as pessoas se sentam de modo mais formal e a parte inferior da imagem pode ficar na altura dos olhos. Já num home theater, a tendência é sentar-se de forma mais confortável, o que exige imagem mais alta para não haver desconforto na posição do pescoço.

Bem, no fundo tudo é questão de bom senso. As regras devem servir apenas como parâmetro, pois é difícil criar padrões rígidos. O projeto de uma sala envolve muito de gosto pessoal, detalhes arquitetônicos e até mesmo a acuidade visual, que pode variar de um indivíduo para outro.

*Artigo publicado originalmente na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL

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