Confira os destaques da última edição da Revista Home Theater que está nas bancas.
DVD ainda terá vida longa
25/08/2009, por Vinicius Barbosa Lima*
Qual o futuro das mídias de armazenamento e da distribuição de conteúdo para consumo geral? Esse recorrente questionamento vive a ser debatido em publicações e comunidades virtuais voltadas para a tecnologia de consumo, e quase sempre não há consenso. Por outro lado, dez entre dez gurus e visionários do mercado apontam para muito em breve o fim dos discos ópticos.
Já lhes falei da obsolescência que representa a tecnologia de disquinho óptico girando sobre dispositivos eletromecânicos instalados dentro de players, como também sobre minha crença de que o futuro pertencerá às memórias voláteis (os cartões flash) e ao on-demand, vez que a escalada no segmento das chamadas memórias de estado sólido (solid state) é enorme.
Basta dizer que durante a CES 2009 a gigante do setor SanDisk já anunciou estar trabalhando em um super cartão SD com capacidade de 2TB (1012 bytes), ao mesmo tempo em que as conexões de velocidade ultra-alta começam finalmente a sair das pranchetas.
Mas não sou tão imediatista como alguns apressados que vêem toda essa revolução para daqui uns 3 ou 4 anos, devendo as mídias ópticas permanecer fortes por um bom tempo. Ótimo para o CD (perde espaço vertiginosamente para os downloads pela internet), para o excelente Blu-ray e, principalmente, para o bom e velho DVD.
Aliás, parece que o termo “velho” não cabe bem ao DVD, pois tudo indica que ele terá vida longa, estando longe de ser substituído pelo Blu-ray. E a razão é simples, pois enquanto o DVD pode ser utilizado praticamente junto a qualquer tipo de TV ou display, e até mesmo em automóveis, formatos de alta definição como o Blu-ray somente mostram suas vantagens se associados a displays igualmente de alta definição, o que joga para cima o preço total do investimento.
E também é inegável que, para a maioria dos usuários “normais”, a qualidade de áudio e vídeo oferecida pelo DVD ainda é plenamente satisfatória, havendo até quem alegue não enxergar diferenças de imagem entre eles.
Nesse particular entendo sequer caber discussão, pois em termos de imagem a superioridade do Blu-ray é enorme! Basta dizer que, enquanto num disco DVD se consegue armazenar 2 horas de material em resolução 480p e áudio 5.1 convencional, em um disco Blu-ray o mesmo tempo é preenchido com resolução 1080p, com direito a muitos extras e áudio rodando “no talo” (DTS-HD MA e PCM Multicanal).
E, apenas a título de informação: fazendo uso dos mesmos codecs e bit-rate, em um disco DVD caberiam apenas uns 20 e poucos minutos de imagens em alta definição e áudio estéreo.
Outro motivo – este bem menos nobre – para o indiscutível sucesso do DVD está na desenfreada pirataria que rola à vontade em grandes centros de consumo como China, Índia, Brasil e alguns países do Leste Europeu. São centenas de milhões de discos copiados ilegalmente todos os anos, e que chegam às mãos dos consumidores a preços consideravelmente mais baixos quando em comparação ao material original.
Um verdadeiro pesadelo para detentores dos direitos autorais, mas que fez a alegria dos segmentos de informática (gravadores de DVD) e de mídias virgens, que venderam “zilhões” em meio a tudo isso.
Por outro lado, fica evidente que, no âmbito técnico, a grande diferença do Blu-ray não está nas imagens em alta definição (1080p), nem do áudio de elevado bit-rate. A alma do Blu-ray está em sua elevada capacidade de armazenamento, que pode chegar até 50GB (já está em desenvolvimento uma versão para 400GB). E foi justamente essa maior capacidade de espaço disponível que permitiu nos discos toda a qualidade que lhes é característica.
Claro que trouxe outros “gadgets” na carona, tais como menu tipo “pop-up”, que permite alterar o setup da reprodução (tipos de áudio, legenda, etc) enquanto o filme rola solto na tela; menu animado bem mais rico e elaborado; e possibilidade de acesso à internet para conhecimento de material extra (o tal BD-Live, que até o momento não passou de uma curiosidade inútil).
Por tais motivos, fica a cada dia mais claro que o Blu-ray jamais substituirá o DVD, como também não morrerá tão cedo, como vivem a apregoar alguns pessimistas. É certo que no futuro ambos serão atropelados por alguma outra novidade irresistível e realmente revolucionária, mas isso não é para já.
Hoje, o disco de logotipo azul está se firmando como real segunda opção no mercado de entretenimento doméstico, um produto voltado para consumidores que apreciam a mais alta qualidade de som e imagem que se possa ter em casa, e que, acima de tudo, podem e querem investir nisso. Nada de errado, pois em todos os segmentos de consumo há mais de uma opção para diferentes níveis de consumidores, o que configura algo altamente salutar.
E, para satisfazer a todos, até mesmo um disco híbrido de 3 camadas (layers) já está em desenvolvimento, e deverá oferecer uma camada para o formato Blu-ray e outras duas para a versão em DVD, tudo no mesmo disco.
Ou seja, enquanto o futuro preconizado pelos gurus são se concretiza, não há motivos para deixar de investir em nenhum dos formatos, pois ambos devem permanecer entre nós por um longo tempo ainda.
*Texto publicado originalmente na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL.