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Por que a Sony adiou o projeto do OLED
07/10/2009, por Daisuke Wakabayashi
A próxima geração de televisores Sony – uma tecnologia de displays ultrafinos que seus executives qualificam como símbolo da volta da grande líder no setor de tecnologia, é agora símbolo de outra coisa: o dilema enfrentado por sua divisão de TVs.
A Sony decidiu adiar o lançamento em massa de seus TVs OLED (Organic Light-emitting Diode) porque isso implicaria num aumento exacerbado de seus prejuízos, segundo uma fonte da empresa.
O plano era lançar em 2009 uma versão maior do modelo de 11 polegadas, que chegou ao mercado internacional no final de 2007, e que é até agora o único TV OLED disponível para o consumidor. Esse TV tem tela com apenas 3mm de espessura, mas a Sony decidiu retardar o novo aparelho até pelo menos meados do ano que vem.
A decisão contém uma mensagem, dirigida aos próprios engenheiros da Sony: a rentabilidade da divisão de TVs é a prioridade. Essa divisão caminha para amargar prejuízo pelo sexto ano fiscal consecutivo. No passado, os engenheiros tinham poder para convencer a Sony a investir em maravilhas tecnológicas que raramente davam lucro. Não mais.
O adiamento abre as portas para concorrentes como LG e Samsung assumirem a liderança na tecnologia OLED, que muitos consideram ter potencial para substituir os LCDs no futuro. Os displays OLED já podem ser vistos em aparelhos pequenos, como celulares e media players portáteis. São telas mais finas, consomem menos energia, apresentam cores mais definidas, taxas de contraste mais altas e também respondem mais rápido às imagens em movimento do que as telas LCD.
O problema é que, como em toda nova tecnologia de display, produzir um TV OLED é muito caro. O próprio XEL-1, modelo de 11” da Sony, é vendido hoje no mercado americano por cerca de US$ 2.500 – valor reservado pelos modelos mais recentes de 50” ou mais, em LCD ou plasma. Ao anunciar o adiamento, a Sony não confirmou quantas unidades do OLED já foram vendidas. Na verdade, em maio de 2008, o CEO da empresa, Howard Stringer, chegou a prever que um modelo de 27” seria lançado dali a doze meses. Mas, seis meses depois, a crise mundial obrigou a uma reviravolta nos planos, incluindo uma ampla reestruturação para estancar os prejuízos.
A divisão de TVs da Sony perdeu nada menos do que 127 bilhões de ienes (US$ 1,34 bilhão) no último ano fiscal, encerrado em março, o que representou mais da metade dos prejuízos de todo o grupo. Os televisores responderam por 16,5% das receitas da empresa (cerca de 7,73 trilhões de iênes). Mesmo dizendo-se um fã da tecnologia OLED, Stringer disse em entrevista recente que não podia mais arcar com esses números.
O maior desafio da atual administração é reduzir os custos industriais, pois os componentes estão mais difíceis de contratar – e, como se sabe, produzir equipamentos eletrônicos é um trabalho que nunca pode ser interrompido.
A empresa de pesquisas DisplaySearch estima que a taxa de rejeição dos displays OLED é de 60%, ou seja, de cada 10 painéis produzidos, seis apresentam defeito e não podem ser comercializados. A própria Sony não confirma esse dado, mas sabe-se que painéis maiores apresentam taxas de rejeição ainda mais altas.
Mas a Sony precisa acertar com o OLED. A empresa ficou marcada por ter sido lenta na decisão de abandonar os TVs de tubo CRT em favor dos LCDs, e agora fica atrás de LG e Samsung em termos de faturamento com esse produto, ainda segundo a DisplaySearch. Recuperar sua liderança nesse segmento passou a ser estratégico para a Sony, tanto que em abril Stringer demitiu Ryoji Chubachi, então presidente da divisão de eletrônicos e um dos mais respeitados engenheiros do grupo.
Chubachi, que tem em seu currículo o desenvolvimento das câmeras de vídeo de 8mm, nos anos 80, era um dos maiores defensores da tecnologia OLED. Para o seu lugar foi nomeado Yoshihisa Ishida, executivo que dirigia a divisão de computadores Vaio. Ainda como parte do plano de reestruturação, a empresa decidiu fechar uma de suas fábricas no Japão e passou a concentrar-se na produção de televisores mais baratos, destinados aos mercados emergentes. Além disso, está ampliando sua rede de fornecedores para terceirizar algumas linhas de produção.
A decisão de adiar o lançamento do novo OLED não foi mal recebida pelo mercado financeiro. Eric Lee, analista da Barclays Capital, comentou que a Sony fez bem. “Não sei se alguém compraria esse produto”. Mas, enquanto isso, os concorrentes estão fechando o cerco. A LG anunciou que até o final do ano pretende lançar um TV OLED de 15”, e a Samsung exibiu um modelo de 31” em eventos internacionais. Há ainda a Panasonic prometendo entrar nesse segmento.
No entanto, a maior ameaça ao futuro dos OLEDs é mesmo o LCD, cujos preços estão caindo tão rápido quanto melhora o desempenho. Os novos LCDs com backlight de LED apresentam displays mais finos, cores mais brilhantes e menor consumo. “Vai ser sempre assim”, comenta Paul Gagnon, outro analista da DisplaySearch. “Uma nova tecnologia precisa atingir uma faixa de preço aceitável antes que o plasma ou o LCD atinjam níveis de performance similares a essa nova tecnologia”.