Confira os destaques da última edição da Revista Home Theater que está nas bancas.
Se há um aspecto importante, mas freqüentemente ignorado por grande parte dos
usuários de home theater, é a acústica da sala. Embora existam muitos
dispositivos de controle de reflexões, como difusores e armadilhas de graves,
essas soluções não combinam com salas multiuso. Para tentar amenizar os
problemas causados por uma acústica ruim (sem agredir a parte estética), foi
criado o conceito de Room Correction (“correção de sala”). Durante um bom tempo,
esse conceito era muito caro, além de parecer inviável para equipamentos de home
theater.
A empresa canadense Anthem é hoje uma das poucas a oferecer processadores com
software de correção de sala. Diferente da calibragem automática convencional, o
ARC (Anthem Room Correction) é capaz de otimizar toda a resposta de freqüências
do sistema de acordo com as características acústicas do ambiente.
O processador Statement D2, que traz esse recurso, é um aparelho refinado, de
belo acabamento e com flexibilidade em processamentos de áudio e vídeo. Vem com
disco de software, um longo cabo USB e um microfone de calibragem com um pequeno
pedestal. A base é ajustável, o que permite melhor posicionamento durante os
ajustes.
A conexão do Statement D2 ao nosso sistema de referência foi feita
rapidamente (em 20 minutos), graças à interface HDMI – capaz de aceitar sinais
digitais de áudio multicanal e de vídeo Full-HD. Utilizamos também cabos
digitais coaxiais em algumas fontes, a fim de comparar certas características
sonoras durante a reprodução. Para obter áudio multicanal, foram utilizados seis
cabos analógicos na conexão entre o processador e o DVD player universal. Já a
ligação do processador ao TV foi feita via HDMI.
Com as conexões prontas, tratamos de ajustar o sistema (distância e volume
das caixas) com o auxílio de um decibelímetro analógico. Vale lembrar que o ARC
só faz a correção acústica das salas por software: os cálculos de distância
precisam ser feitos pelo próprio usuário, ou por um instalador.
Estava tudo pronto para iniciar a correção acústica – até nos certificamos de
que os sons externos não iriam interferir no processo. Conectamos o microfone ao
Anthem, que se comunicava via USB ao nosso notebook, ligado também ao Anthem por
um cabo RS-232. Em apenas um minuto, o microfone e o processador foram
reconhecidos pelo software. Esse procedimento exige o uso de um computador
rápido (rodando Windows XP ou Vista), além de um cabo RS-232 (macho e fêmea). O
software habilitou o Anthem a realizar de cinco a dez testes individuais para
filmes e músicas. Em seguida, enviou todos os tons de freqüências para cada uma
das cinco caixas do sistema.
Os sinais de test tone usados pela Anthem são muito diferentes dos
tradicionais. Ficamos preocupados com o fato dos sinais de teste começarem
imediatamente após a seleção do ícone START. Gostaríamos de ter um pouco mais de
tempo para, pelo menos, escapar da sala (ou nos prepararmos), evitando
interferências na correção acústica. Enquanto caminhávamos pela sala, o programa
registrou “erro de leitura” e nos alertou sobre a necessidade de refazer os
ajustes. Repetimos os testes sem incidentes. Concluídas as medições, o software
demorou um certo tempo para fazer os cálculos e carregar o perfil para o
processador – última etapa antes do uso.
Vimos que o controle de correção do Statement D2 é bem flexível, sendo que
cada fonte de áudio e vídeo pode ser configurada de forma independente. Dá ainda
para utilizar diferentes perfis de correção de sala, tendo como base locais de
audição distintos – por exemplo, se você se deita no sofá para ver filmes, mas
se senta num dos assentos quando escuta música – e também as variáveis da sala,
como cortinas fechadas que amortecem a janela de vidro durante os filmes.
O recurso ARC permite otimizar a resposta de freqüência de acordo com as
características acústicas do ambiente
Além dos parâmetros de correção de sala, o ARC faz cálculos independentes
para cada caixa do sistema, ajustando os pontos no crossover. Você pode até
definir configurações separadas para cinema e música, e obter de cinco a dez
posições diferentes por configuração.
Enquanto muitos softwares de correção reduzem apenas os picos de freqüências,
o ARC dá suporte extra às baixas freqüências, criando uma solução completa para
os problemas criados nas salas. Filtros eficientes permitem que o Anthem faça
todas essas correções, minimizando potenciais atrasos e níveis de ruído.
O duplo processador DSP do Statement D2 trabalha facilmente as demandas do
software ARC e elimina erros redundantes. Com isso, o Anthem é capaz de oferecer
uma correção acústica precisa e muito flexível.
Começamos com o excelente CD Genius Loves Company, de Ray Charles. O software
ARC proporcionou melhorias evidentes logo na primeira faixa, “Here We Go Again”
(com Norah Jones). Para nos certificar, ligamos e desligamos várias vezes esse
recurso e sentimos uma diferença enorme. Com o ARC ativado, o palco sonoro se
abriu, ficando muito mais amplo para música. Até os graves pareciam suaves e
claros. Mais centralizada, a voz de Norah ganhou vida.
Em “Sorry Seems to be the Hardest Word”, os vocais de Elton John e Ray
Charles surgiram mais realistas (e separados) com o ARC. Na faixa “Fever”, o
baixista realmente brilhou. Sabemos que nossa sala tem uma saliência a 50Hz, o
que fica evidente nesta canção. Mas ouvimos a bela faixa várias vezes e,
novamente, sentimos uma grande diferença na otimização da resposta da sala feita
pelo ARC.
Para testar a experiência multicanal, escolhemos o DVD-Audio Workingman´s
Dead, do grupo Grateful Dead. Na faixa “Uncle John´s Band”, notamos boa
definição de graves e, ao mesmo tempo, um caráter dinâmico mais aberto e natural
nas médias e altas freqüências. Ficamos impressionados com a forma como os
efeitos surround nos envolveram quando ativamos o ARC – especialmente num
sistema com caixas frontais e surround idênticas. A transição dos efeitos que
vinham de frente para trás ficou mais equilibrada e homogênea.
Os efeitos sonoros e o ruído do sopro do dragão no HD-DVD Coração de Dragão
ganharam maior detalhamento. Novamente, o ARC resultou num palco sonoro mais
marcante e vasto, com graves controlados. As vozes eram facilmente identificadas
e até sentimos melhor dinâmica na trilha sonora. O balanço perfeito entre as
cinco caixas também foi destaque, tornando a transição mais suave.
Quando ouvimos o Anthem Statement D2 pela primeira vez na CES, em janeiro
último, sabíamos que era preciso avaliá-lo com um sistema de referência. Afinal,
só assim conseguiríamos descobrir as reais vantagens desse sofisticado
processador. O amplo e detalhado palco sonoro, os graves precisos e controlados,
além da melhora na transição dos sons frontais para os canais surround,
proporcionaram um grande equilíbrio em nosso sistema.
Entradas/saídas analógicas de áudio: 7/4
estéreo RCA (com 2 saídas para multiroom), 1 par de estéreo (balanceado),
entradas 5.1 canais (para formatos de alta resolução), saídas pré-amplificadas
para 8.2 canais (RCA e balanceadas)
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